Notícias do Tocantins – Um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à divulgação das atividades legislativas da Câmara Municipal de Palmas ganhou repercussão e já ameaça se transformar em um dos maiores escândalos políticos da capital. Conforme informações divulgadas pelo site AF Notícias, as denúncias apontam para a participação de assessores parlamentares na criação de sites de fachada usados para receber repasses irregulares de verbas públicas.
Segundo as investigações preliminares, a prática remete ao modus operandi da conhecida “rachadinha”, colocando em xeque a transparência do Legislativo palmense. Caso confirmado, o esquema pode configurar crimes como peculato, improbidade administrativa, lavagem de dinheiro e até formação de organização criminosa.
Cada vereador da capital possui quase R$ 300 mil por ano para custear despesas do mandato, incluindo a divulgação de suas ações na mídia. Entretanto, o Portal da Transparência da Câmara não detalha os beneficiários desses repasses, o que dificulta o acompanhamento público sobre o destino da verba.
De janeiro a setembro deste ano, já foram pagos R$ 5.165.300,00 em despesas relacionadas à Cota de Despesa de Atividade Parlamentar (Codap). O valor total empenhado para 2025 é de R$ 6.547.472,00.
Como funcionaria o esquema
Nos bastidores, relatos apontam que assessores de confiança de alguns vereadores registraram sites de notícias fictícios — páginas sem redação, equipe jornalística ou relevância no cenário informativo de Palmas — criadas apenas para emitir notas fiscais de publicidade. Assim, conseguiam justificar os reembolsos pela Codap.
Após o pagamento, os responsáveis pelos sites devolviam a maior parte dos valores aos parlamentares envolvidos, ficando apenas com uma fração pelo papel de intermediários. Na prática, recursos que deveriam ser usados para dar transparência ao trabalho legislativo se transformariam em fonte de enriquecimento ilícito.
A suspeita é de que a prática também ocorra em outras Casas Legislativas do Tocantins, mas até o momento não há registros de ações do Ministério Público, da Polícia Civil ou do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Risco à credibilidade da imprensa
Além do impacto jurídico e político, o suposto esquema gera um efeito colateral grave: a descredibilização da imprensa local. A proliferação de sites sem credibilidade confunde a população e fragiliza o jornalismo profissional, que já enfrenta dificuldades para manter sua sustentabilidade.
Ao misturar veículos legítimos com páginas artificiais, o episódio ameaça diretamente um dos pilares da democracia: o acesso da sociedade à informação confiável.
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias
