Notícias do Tocantins – No próximo dia 25 de setembro, às 20h, o Teatro Sesc Palmas recebe a estreia de “Ana não foi feita pra caber”, novo trabalho da atriz e produtora cultural Carla Lisboa, com direção de Marcial Asevedo. O monólogo autoral é um mergulho poético e humano nas camadas da memória, da identidade e do pertencimento, abordando de forma sensível questões relacionadas ao autismo, aceitação e liberdade de ser.
A personagem Ana — alter ego da atriz — conduz o público por uma jornada de autodescoberta, revisitando a infância, adolescência e vida adulta. Cada fase é marcada por lembranças, rótulos e conflitos que revelam o impacto das pressões sociais sobre mulheres autistas e sobre todos que, em algum momento, já se sentiram deslocados ou fora de padrões impostos.
Segundo Carla Lisboa, o espetáculo nasceu de sua própria experiência após receber o diagnóstico de autismo já na vida adulta.
“O diagnóstico foi um divisor de águas. Trouxe dor, mas também libertação. Escrever e atuar em Ana não foi feita pra caber é um ato de coragem e cura — para mim e, espero, para todos que já se sentiram sem lugar no mundo”, afirma.
A encenação, conduzida por Marcial Asevedo, valoriza tanto os silêncios quanto as explosões emocionais, reforçando o caráter humano e universal da obra.
“A peça não é apenas sobre autismo. É sobre a tentativa de caber em moldes que não nos comportam e a necessidade de criar nossos próprios espaços”, explica o diretor.
O espetáculo também funciona como manifesto artístico, afirmando a impossibilidade de reduzir vidas a formas prontas. Ao final da apresentação, o público poderá participar de um bate-papo com a artista, momento em que Carla compartilhará detalhes do processo criativo e responderá perguntas.
Trajetória de Carla Lisboa
A relação de Carla com o teatro começou na adolescência, como ferramenta para vencer a timidez. Desde então, construiu uma carreira multifacetada como atriz, professora e produtora cultural. Interpretou Édipo Rei (2005), atuou em projetos da Cia Teatral Os Issos, escreveu e encenou Espelhos (2018) e participou do musical João Sem Nome (2022), fruto da Oficina dos Menestréis em Palmas. Agora, em Ana não foi feita pra caber, apresenta sua criação mais pessoal e, ao mesmo tempo, universal.
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