Notícias do Tocantins – Cinco homens destruíram um barraco e ameaçaram incendiar moradias no assentamento Dina Guerrilheira, em Palmeirante, no norte do Tocantins, na manhã desta quinta-feira (25). Segundo moradores, os agressores seriam vaqueiros a serviço de fazendeiros que ainda ocupam parte da área, antiga Fazenda Santa Maria-Vargem Boa, destinada à reforma agrária.
Em vídeo encaminhado à reportagem, um dos atingidos lamenta a situação:
— “Chegamos aqui e meu barraco estava no chão, derrubado com motosserra. Eu gastei para fazer isso, não acho que eles poderiam ter feito isso.”
Área já foi reconhecida pelo Incra
De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cerca de 160 famílias vivem no local há dois anos. Em junho deste ano, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou portaria criando oficialmente o assentamento, com capacidade para 292 famílias em uma área de 4.943 hectares.
Apesar disso, o processo de regularização não avançou. Segundo Jorge Lima, da direção nacional do MST no Tocantins, a falta de medidas efetivas para retirar os fazendeiros e concluir a seleção das famílias deixa os moradores vulneráveis.
— “O assentamento já foi criado, mas o Incra não tomou nenhuma providência para retirar os fazendeiros nem para efetivar o processo. As famílias seguem expostas.”
Produção e insegurança
Enquanto aguardam a oficialização dos lotes, os trabalhadores já cultivam mandioca, arroz e feijão na área. Nos últimos meses, as ameaças haviam cessado, mas o ataque desta semana reacendeu o medo.
— “Dá até medo, porque tem muita criança aqui. Tem bebê com apenas um mês. A gente não quer nem pensar no que pode acontecer”, relatou uma moradora, que pediu para não ser identificada.
MST cobra providências
Em nota, o MST destacou a urgência de atuação do Incra e dos órgãos de Segurança Pública para proteger as famílias e garantir o andamento da reforma agrária. Até o fechamento desta reportagem, o Incra não havia se manifestado sobre o caso.
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