Notícias do Tocantins – Uma família do município de Pau D’Arco, no norte do Tocantins, vive um drama que se arrasta há mais de um ano e culminou em uma noite de terror no Natal de 2025. Uma adolescente de 12 anos foi sequestrada, estuprada e mantida em cativeiro por cinco dias por um homem de 25 anos – mesmo suspeito contra quem a mãe da vítima havia registrado três boletins de ocorrência ao longo do ano, todos, segundo ela, sem uma resposta efetiva das autoridades. O caso grave de estupro de vulnerável e a aparente inércia do sistema revelam uma tragédia anunciada.
A perseguição começou nas redes sociais em 2024, quando a menina tinha apenas 11 anos. O suspeito, identificado por moradores como traficante na região, iniciou contato virtual. A mãe, que acompanhava o uso do celular, percebeu mudanças no comportamento da filha e faltas escolares. Ao checar o aparelho, descobriu as conversas, que eram apagadas pelo homem para evitar rastros.
Três denúncias ignoradas
A primeira denúncia à Polícia Civil foi feita imediatamente. Ao longo de 2025, a família registrou mais dois boletins de ocorrência. A situação era grave: exames de corpo de delito já comprovavam, à época, que a adolescente havia sido vítima de estupro. Mesmo com essa prova médica, a mãe alega que nenhuma medida protetiva ou investigação eficaz foi adotada para afastar o agressor.
“Fiz três boletins de ocorrência contra ele, pedindo ajuda. Ele perseguia a minha filha mesmo sabendo que ela é menor de idade. A polícia nunca tomou nenhuma providência, mesmo com a comprovação do abuso”, desabafou a mãe em entrevista ao AF Notícias.
O sequestro na noite de Natal e o resgate pela família
A sensação de impunidade, segundo o relato, pavimentou o caminho para a violência extrema. Por volta das 23h do dia 25 de dezembro, o suspeito invadiu a casa da família e raptou a adolescente. Ela permaneceu desaparecida por cinco dias.
A localização veio por meio de vizinhos, que informaram que a menina estaria escondida na casa de parentes do acusado. Diante da inação policial – que, segundo a família, alegou necessidade de mandado judicial para agir –, os próprios parentes da vítima tomaram a iniciativa. No dia 31 de dezembro, invadiram o local e resgataram a adolescente.
Vítima internada com sequelas graves
O estado da menina ao ser encontrada era devastador. A mãe relata que ela apresentava hematomas pelo corpo, olhos avermelhados, sinais de dopagem, ferimentos na boca e profundo abalo psicológico.
A adolescente está internada desde 1º de janeiro de 2026 em um hospital de Arapoema. Exames médicos identificaram uma mancha no pulmão, e os médicos investigam se a lesão foi causada por agressão física ou pelo uso forçado de substâncias entorpecentes. Este é o terceiro exame de corpo de delito que confirma o abuso sexual sofrido por ela.
Histórico de crimes e crítica ao sistema
A mãe faz uma grave acusação: o suspeito já teria cometido crimes semelhantes contra outras menores na região. Ela critica a falta de estrutura da Polícia Civil e a lentidão da Justiça em municípios de pequeno porte.
“Infelizmente deixaram isso acontecer. Minha filha foi drogada, estuprada e hoje está internada. Mesmo com tantas denúncias, ele continuou solto e fez isso com ela. A justiça precisa ser feita”, declarou.
A família agora cobra providências urgentes para a prisão do suspeito, que permanece foragido.
O que diz a Polícia Civil
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO), por meio da 38ª Delegacia de Polícia Civil de Arapoema, informou que a apuração do caso de estupro de vulnerável “está em andamento”.
Em nota, a polícia afirmou que, “desde o primeiro registro, as equipes realizam diligências” e que, por envolver menor de idade, o inquérito corre em segredo de Justiça, impossibilitando a divulgação de detalhes. A corporação disse ainda que o delegado responsável se reuniu com a família no hospital nesta quarta-feira (7) para orientá-los e que reforçou a vigilância no local. “A Polícia Civil reforça o compromisso com a responsabilização de todos os agressores”, concluiu a nota.
Enquanto aguardam justiça, a família tenta cuidar da recuperação física e emocional da menina, marcada por uma sequência de violências que, alegam, poderiam ter sido interrompidas.
Com informações do AF Notícias.
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