Notícias do Tocantins – O Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares investigados por suposto envolvimento na chamada Chacina de Miracema, sequência de crimes que deixou sete mortos em fevereiro de 2022. Além das prisões, a Justiça também aplicou medidas cautelares contra os investigados.
Os militares se apresentaram nesta sexta-feira (8) no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Palmas, após acordo entre o Ministério Público do Tocantins (MPTO) e o comando da corporação. Em seguida, eles foram encaminhados à Delegacia Geral da Polícia Civil.
Entre os investigados estão oficiais da Polícia Militar do Tocantins, incluindo um tenente-coronel, três majores e um capitão. Segundo a decisão judicial, os policiais teriam atuado em diferentes etapas das ações criminosas, como monitoramento das vítimas, apoio operacional, transporte, execuções e destruição de provas.
Oficiais investigados na Chacina de Miracema
Os oficiais citados nas investigações são:
- Douglas Luiz da Silva — tenente-coronel e ajudante de ordens do governador;
- Wallas de Sousa Melo — major;
- Yurg Noleto Coelho — major;
- Wilquer Barbosa de Sousa — major;
- Gleiston Ribeiro Pereira — capitão.
A decisão judicial aponta que o grupo teria atuado de forma coordenada durante os crimes ocorridos entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022.
Segundo as investigações, o major Yurg Noleto Coelho seria uma das principais lideranças informais da operação, responsável por coordenar equipes e posicionar viaturas em pontos estratégicos. Já o major Wallas de Sousa Melo é investigado por suposta participação na invasão da Delegacia de Miracema, onde duas vítimas foram executadas.
O tenente-coronel Douglas Luiz da Silva é apontado como integrante de uma equipe que utilizou veículo oficial durante a abordagem de vítimas no loteamento Jardim Buriti. O capitão Gleiston Ribeiro Pereira teria utilizado um veículo que circulou repetidamente entre os locais das abordagens e das execuções.
Como ocorreram os crimes
A série de assassinatos começou após a morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa durante um confronto em uma plantação de mandioca, na noite de 4 de fevereiro de 2022.
Na mesma noite, Valbiano Marinho da Silva foi morto a tiros em casa, suspeito de envolvimento na morte do PM.
Horas depois, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano, foram assassinados dentro da Delegacia de Polícia de Miracema após a invasão do prédio por homens encapuzados.
No dia seguinte, os corpos de Aprigio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21 anos, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18 anos, foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As investigações apontam que as vítimas foram sequestradas, torturadas e executadas.
Justiça aponta tortura e ocultação de provas
Conforme a decisão, os crimes representam “grave afronta ao Estado Democrático de Direito”, já que teriam sido utilizados recursos públicos, como viaturas oficiais, armamento e sistemas de comunicação da Polícia Militar.
A investigação da Polícia Civil também identificou indícios de fraude processual e tentativa de ocultação de provas. Entre os pontos apurados estão o recolhimento de HDs de câmeras de segurança de um posto de combustíveis e possíveis adulterações em sistemas de rastreamento de viaturas.
Os magistrados entenderam que a liberdade dos investigados representa risco à ordem pública e à instrução criminal, diante da possibilidade de intimidação de testemunhas e destruição de provas.
Medidas cautelares
Além das prisões preventivas, a Justiça determinou:
- afastamento imediato das funções públicas;
- suspensão do porte e posse de armas;
- proibição de acesso a unidades policiais;
- proibição de contato com sobreviventes, familiares das vítimas e investigadores.
Um outro policial militar investigado no caso teve apenas medidas cautelares aplicadas, sem decretação de prisão.
O que dizem a PM e a defesa
Em nota, a Polícia Militar do Tocantins informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO e afirmou que não compactua com desvios de conduta praticados por integrantes da corporação.
A Casa Militar informou que o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva foi afastado das funções de ajudante de ordens e retirado das agendas oficiais.
O advogado Paulo Roberto, responsável pela defesa de parte dos militares investigados, afirmou que ainda não teve acesso integral à decisão judicial e que irá se manifestar após analisar o conteúdo.
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias
