O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. A decisão foi formalmente comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de uma carta e provocou forte repercussão diplomática e econômica.
No documento, Trump justifica a medida com argumentos políticos, afirmando que o Brasil violou princípios democráticos, como a liberdade de expressão, ao acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de emitir “ordens de censura secretas e ilegais” contra plataformas de redes sociais americanas. Além disso, critica o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando-o como uma “vergonha internacional”.
“O Brasil não tem sido bom para nós. Nada bom”, declarou Trump em evento na Casa Branca, sinalizando novas medidas contra o país.
A tarifa, segundo Trump, será ampla e aplicada a todas as exportações brasileiras, independente de outras taxas já em vigor. Ele também autorizou o representante comercial dos EUA a abrir uma investigação formal contra o Brasil por práticas comerciais consideradas desleais.
Reação dos mercados
A repercussão no mercado financeiro foi imediata. O Ibovespa caiu 1,31%, fechando aos 137.481 pontos, acumulando uma perda de mais de 3.500 pontos em três sessões consecutivas. O dólar comercial subiu 1,10% e encerrou o dia cotado a R$ 5,50, refletindo o aumento da aversão ao risco e a fuga de capital estrangeiro.
Algumas das principais ações da Bolsa tiveram forte recuo: Magazine Luiza caiu 3,93%, Itaú Unibanco 2,07% e Banco do Brasil 2,50%. A PetroRecôncavo afundou 5,36% após divulgar dados fracos, enquanto a Braskem contrariou o mercado e subiu 6,02% com a aprovação de um projeto de incentivo à indústria química no Congresso.
Reações políticas
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, reagiu de forma crítica à decisão americana, classificando a medida como “injusta” e prejudicial à própria economia dos Estados Unidos.
“O Brasil não é problema para os EUA. Essa tarifa é injusta e trará mais prejuízos aos americanos do que aos brasileiros”, afirmou Alckmin.
Enquanto isso, o governo brasileiro ainda não divulgou uma resposta oficial, mas mantém postura cautelosa nas negociações. Nos bastidores, o comércio entre os dois países — atualmente superavitário para os EUA — tem sido usado como argumento para tentar reverter ou mitigar os impactos da decisão.
Contexto geopolítico
A nova tarifa se insere em uma escalada protecionista de Trump, que tem adotado medidas semelhantes contra outros parceiros comerciais sob a justificativa de buscar “reciprocidade”. Até agora, os EUA firmaram novos acordos apenas com Vietnã e Reino Unido, com avanços em negociações com a China.
O presidente Lula, por sua vez, tem adotado tom mais duro em discursos públicos, comparando Trump a um “imperador” e defendendo a redução da dependência do dólar nas transações internacionais, especialmente dentro do bloco BRICS.
A expectativa é que o tema volte a ganhar destaque nos próximos dias, especialmente com a divulgação do IPCA de junho, que poderá influenciar os próximos passos do Banco Central diante do cenário de incerteza global.
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias 💻📱
