Notícias do Tocantins – Uma boa aprendizagem começa também pela alimentação. No Tocantins, escolas indígenas têm se destacado ao priorizar alimentos frescos e nutritivos, comprados diretamente de agricultores e extrativistas da própria comunidade. Em Tocantínia, a Escola Xerente São José é exemplo desse avanço, garantindo uma merenda escolar mais saudável, culturalmente adequada e livre do excesso de produtos industrializados.
A professora e mãe, Belcilene Sibakadi Xerente, destaca o impacto positivo da iniciativa.
“Desde que surgiu o alimento diretamente da roça para as escolas, eu fiquei muito feliz. É saudável, fresco, rico em ferro e nutrientes, diferente dos enlatados. As crianças ficam mais espertas e aprendem melhor com comida típica Xerente”, afirma.
Impacto na comunidade e na aprendizagem
Além dos benefícios nutricionais, a compra direta simplifica a logística de transporte e fortalece a economia local, gerando renda sustentável. O procurador do Ministério Público Federal (MPF) e coordenador da Catrapovos Tocantins, Dr. Álvaro Mazano, ressalta:
“O ideal é que 100% da alimentação seja produzida no local onde é consumida. Isso melhora a qualidade, respeita a cultura alimentar das crianças e garante renda às famílias”, explica.
Números da alimentação escolar
Segundo a Secretaria de Educação, o Tocantins possui 139 escolas rurais: 95 indígenas, 43 do campo e duas quilombolas. Atualmente, são 7.659 alunos em escolas indígenas, 9.770 em assentamentos e 1.933 em comunidades quilombolas, o que reforça a necessidade de políticas alimentares adaptadas às culturas locais.
Lei e desafios
A Lei nº 11.947/2009 determina que pelo menos 30% dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sejam aplicados na agricultura familiar. No entanto, diversos municípios ainda não cumprem a exigência, entre eles Arraias, Paranã, Carrasco Bonito e Tocantínia. Outros já avançaram e podem expandir a compra local, especialmente diante do Projeto de Lei 5352/2016, que pretende elevar o percentual para 70% até 2028.
Catrapovos e valorização cultural
Criada em 2021 pelo MPF, a Mesa Permanente de Diálogo Catrapovos Brasil busca ampliar a oferta de alimentos regionais nas escolas, fortalecendo comunidades indígenas e tradicionais. No Tocantins, a iniciativa reúne Funai, Conab, Seduc, Consea, Ruraltins, UFT e organizações da sociedade civil, promovendo debates e soluções conjuntas.
Com oficinas e diagnósticos realizados nos territórios, a Funai já identificou abundância de alimentos tradicionais que podem abastecer escolas, quebrando o mito de que a produção local não seria suficiente.
A experiência demonstra que a merenda escolar vai além da nutrição: é também uma ferramenta de aprendizagem, valorização cultural e desenvolvimento sustentável.
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