Notícias do Tocantins – A retirada da Medida Provisória 1303, conhecida como MP do IOF, da pauta da Câmara dos Deputados marcou uma nova ofensiva política do Centrão contra o governo federal. A medida, que previa a unificação da alíquota do Imposto de Renda sobre aplicações financeiras em 18% e o aumento da taxação das apostas online de 12% para 18%, perdeu validade nesta quarta-feira (8) após não ser votada dentro do prazo.
A decisão representa uma derrota significativa para o governo Lula (PT), que estimava arrecadar cerca de R$ 35 bilhões entre 2025 e 2026 com a proposta. Esses recursos seriam destinados a obras, programas sociais e políticas públicas em áreas como habitação, infraestrutura, educação e saúde.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto atribui a derrubada da MP a uma articulação liderada por partidos do Centrão — entre eles PP, União Brasil, Republicanos e PL — com apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo relatos de parlamentares governistas, o governador teria feito ligações a dirigentes partidários e líderes de bancada pedindo a retirada da proposta da pauta.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que Tarcísio “atuou pessoalmente para derrotar a medida”, telefonando para aliados e intermediando conversas por meio de figuras como Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil) e Gilberto Kassab (PSD). O relator da MP, Carlos Zarattini (PT-SP), confirmou que o movimento foi político e teve o objetivo de enfraquecer o governo e abrir espaço para uma futura candidatura da direita nas eleições de 2026.
Em resposta, Tarcísio negou envolvimento direto nas articulações, dizendo estar “focado nas demandas de São Paulo”. No entanto, aliados como o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), usaram a tribuna para agradecer publicamente ao governador “pelo empenho em dialogar contra o aumento de impostos”.
De acordo com a Fazenda, a queda da MP mantém privilégios para grandes investidores, bancos e casas de apostas, ao mesmo tempo em que reduz o espaço fiscal para programas sociais. O governo agora tenta recompor a arrecadação por meio de projetos substitutivos e medidas infralegais.
A articulação é vista por analistas como uma repetição da estratégia adotada pelo Centrão em 2022, quando o grupo liberou gastos bilionários no fim do governo Bolsonaro. Agora, segundo interlocutores do Planalto, a tática é inversa: bloquear receitas, enfraquecer a popularidade de Lula e preparar o terreno eleitoral para 2026.
No Tocantins, o resultado da votação também dividiu a bancada. Carlos Gaguim (União Brasil), Antonio Andrade (Republicanos), Eli Borges (PL) e Filipe Martins (PL) votaram pela retirada da MP, enquanto Tiago Dimas (Podemos) foi contra. Vicentinho Júnior (PP), Ricardo Ayres (Republicanos) e Alexandre Guimarães (MDB) não registraram voto.
Com o fim da validade da MP, o governo precisará buscar novas alternativas de ajuste fiscal para o próximo ano. A derrota também consolidou Tarcísio de Freitas como figura de influência nacional do campo conservador/reacionário e acendeu o debate sobre uma possível reorganização das forças políticas de direita e extrema-direita em torno de seu nome.
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