Notícias do Tocantins – O maior evento global de enfrentamento à crise climática, a COP30, começa no próximo dia 10 de novembro, em Belém (PA), reunindo chefes de Estado, organizações civis e comunidades de todo o mundo para debater soluções diante do colapso climático.
Entre os participantes, o Tocantins marca presença com a Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática, que participa pela segunda vez da conferência e anuncia uma delegação formada por representantes de diferentes territórios do estado.
Integram o grupo Genifer Oliveira, Edicleia Piabassa, Angélica Beatriz, Maurício Araújo, Laudeci Ribeiro e os jovens Sarah Tamioso, Geniffe Kariny, Gabriel Cavalcante, Caylane Gleize, Gaby Sousa e Olavo Lisboa, representando Palmas, Tocantinópolis, Mateiros, São Félix do Tocantins, Caseara, Porto Nacional e São Valério.
As agendas da delegação incluem participação na Zona Azul, Zona Verde e na Cúpula dos Povos, evento paralelo que dá voz aos movimentos sociais nas pautas climáticas. A comitiva também contará com representantes da Associação Pyka Mex (Apinajé), do Movimento Estadual de Direitos Humanos e Ambientais (MEDHA) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
🌱 Cerrado em destaque na agenda global
Composta por quinze organizações, a Coalizão reforça a importância do bioma Cerrado, que cobre cerca de 90% do território tocantinense e tem papel essencial na distribuição hídrica nacional.
“A presença do Tocantins na COP30 é estratégica, pois o estado ocupa posição decisiva nas discussões climáticas por estar no bioma Cerrado, um dos principais reguladores do regime hídrico do Brasil. Nossa participação reforça a visibilidade do território e amplia nossa capacidade de incidência pela valorização e proteção desse bioma essencial”, afirma Ediclea Piabassa, bióloga e diretora da Associação Onça D’Água.
Dados do ISPN e WWF-Brasil apontam que o Cerrado já perdeu 50% da vegetação nativa, tornando-se o bioma mais ameaçado do país. O avanço do agronegócio, o uso intensivo de agrotóxicos e o aumento das queimadas têm gerado impactos diretos sobre as comunidades locais.
Moradores relatam secas mais severas, dificuldade de acesso à água potável, aumento da carga de trabalho das mulheres e problemas de saúde relacionados à poluição e ao calor extremo. Entre os jovens, cresce a pressão para deixar o campo, devido à falta de políticas de educação, cultura e geração de renda rural.
🌳 Cerrado e Amazônia: biomas que se conectam
O Tocantins é um ecótono — área de transição entre Cerrado e Amazônia — que representa um ponto de interdependência ambiental entre os dois biomas. “Não existe Amazônia sem Cerrado e nem Cerrado sem Amazônia”, destacam os representantes da Coalizão, reforçando a necessidade de políticas integradas de conservação.
O avanço das fronteiras agrícolas e o desmonte de mecanismos de proteção ambiental ameaçam esse equilíbrio, colocando em risco rios, territórios e modos de vida. A crise climática atinge de forma desigual, sendo mulheres, povos indígenas, quilombolas e juventudes periféricas os mais afetados — embora também sejam protagonistas na construção de soluções sustentáveis.
“Os mais afetados são as mulheres e os jovens, que muitas vezes não têm ferramentas para lidar com seca, fogo e enchentes. Estamos aqui para garantir que nossas vozes tenham lugar e que nossos territórios não sejam invisibilizados”, afirma Genifer Oliveira, articuladora da Coalizão Vozes do Tocantins.
👩🏽🦱 Juventude tocantinense quer ser ouvida
Os jovens têm se mostrado cada vez mais engajados na luta climática. Para Olavo Lisboa, representante da juventude da Coalizão e participante do Earthshot Generation 2025, a presença na COP30 é uma oportunidade de visibilidade.
“As expectativas para a COP30 passam por defender o Cerrado e denunciar o avanço do desmatamento e das queimadas. Queremos um Cerrado em pé e uma juventude viva e protagonista nessa luta. Sem as juventudes negras, periféricas e indígenas, não há justiça climática possível”, afirma.
🌍 Earthshot Generation: Tocantins no cenário global
Os jovens Sarah Tamioso e Olavo Lisboa foram selecionados para participar do Earthshot Generation, programa que reuniu lideranças de 18 a 30 anos entre os dias 2 e 6 de novembro, no Rio de Janeiro.
O evento, que antecedeu o Earthshot Prize — premiação criada pelo príncipe William, da Coroa Britânica —, promoveu a troca de experiências entre 50 brasileiros, 15 asiáticos e 15 africanos, com foco em iniciativas de impacto positivo para o meio ambiente.
A cerimônia, conhecida como o “Oscar do meio ambiente”, foi apresentada por Luciano Huck e contou com a presença de Cafu, Anitta, Gilberto Gil, Rebeca Andrade, Shawn Mendes, Kylie Minogue, entre outros artistas e personalidades internacionais.

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