Uma análise de mais de 200 mil consultas médicas realizadas em 2024 por Médicos Sem Fronteiras (MSF) em seis unidades de saúde na Faixa de Gaza revelou um cenário alarmante: 83% dos pacientes com ferimentos de guerra foram vítimas de armas explosivas, como bombas, mísseis e granadas. O relatório foi publicado nesta quinta-feira (31) na revista científica The Lancet.
Projetadas originalmente para campos de batalha abertos, essas armas vêm sendo utilizadas cada vez mais em zonas urbanas densamente povoadas, gerando destruição em larga escala. “As armas explosivas estão sendo usadas de maneira indiscriminada, causando ferimentos complexos por explosão, fragmentação e calor. Em dois hospitais, observamos que quase 60% dos ferimentos estavam relacionados a esse tipo de armamento”, afirma Meinie Nicolai, ex-coordenadora de emergências da MSF em Gaza.
Civis desprotegidos
A população palestina, forçada a viver em abrigos improvisados após sucessivos deslocamentos, está exposta a ataques constantes. Esses locais não oferecem qualquer proteção eficaz contra o impacto de explosivos de alta potência.
O estudo também aponta uma alta taxa de infecção nas feridas, superando 18% entre pacientes atendidos pela primeira vez, reflexo direto das condições precárias de higiene e infraestrutura médica em meio à guerra.
Crianças e mulheres entre os mais atingidos
Os dados revelam ainda a vulnerabilidade dos civis: 29,6% dos feridos são crianças com menos de 15 anos, enquanto 32% são mulheres. A infraestrutura de saúde em Gaza está colapsada, e nenhum hospital está operando em plena capacidade.
Além da população civil, os profissionais de saúde também são alvos. Desde outubro de 2023, 1.580 pessoas morreram, incluindo 12 integrantes da equipe da MSF.
MSF pede cessar-fogo imediato
Em nota oficial, Médicos Sem Fronteiras reitera o apelo por um cessar-fogo imediato e permanente. A organização também exige respeito ao trabalho médico e humanitário e cobra que Israel permita o acesso seguro e irrestrito à ajuda humanitária.
“O bloqueio da ajuda, a destruição da rede de saúde e o uso sistemático de explosivos em áreas civis fazem parte de uma tragédia anunciada. A carnificina em Gaza precisa parar”, alerta a MSF.
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