Entre os dias 28 e 30 de março, a capital tocantinense foi palco da I Feira Estadual da Reforma Agrária do Tocantins. O evento reuniu mais de 3 mil visitantes no Espaço Cultural de Palmas, oferecendo uma programação diversificada com expressões artísticas, debates e a comercialização de mais de 7 toneladas de alimentos produzidos de forma agroecológica.
Fortalecimento da agroecologia e economia solidária
Organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Tocantins e CooperAmazônia, a I Feira da Reforma Agrária do Tocantins contou com cerca de 50 expositores que apresentaram mais de 180 produtos sustentáveis. Entre os itens disponíveis, o público teve acesso a frutas, verduras, legumes, ervas medicinais, licores artesanais e produtos típicos do Cerrado, como o sorvete de baru. Além disso, artesanatos em capim-dourado e crochê também estiveram em exposição.
Os visitantes acompanharam demonstrações de processos tradicionais como a extração do azeite de coco babaçu, a produção de beiju e a confecção da farinha de mandioca, promovendo a valorização dos saberes tradicionais dos assentamentos do estado.
Cultura e expressões artísticas
A programação cultural contou com apresentações musicais de artistas regionais como Dorivan “Passarim do Jalapão”, a banda “Tô Pagodeira” e o grupo “Trio Bacana”. O evento também trouxe performances de capoeira do grupo Tribo Arte e Capoeira, além de danças, cirandas e atividades voltadas para crianças, como pintura em papel e pintura corporal.
O intercâmbio de conhecimentos foi enriquecido com oficinas temáticas, incluindo a produção artesanal com palha de babaçu, coordenada pelo coletivo Pindova.
Lançamentos e debates
Durante a feira, foram lançadas obras que dialogam com a história e a resistência dos povos do campo e das periferias. A história em quadrinhos “No Limiar dos Deuses: O Legado do Machado”, de Geuvar Oliveira, foi apresentada ao público com sessão de autógrafos. Já o livro “Educação Ambiental Anticapitalista”, do professor Henrique Tahan Novaes, foi debatido pela docente Fabiana Scoleso, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).
Além disso, diversas rodas de conversa trouxeram reflexões sobre reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, desafios da alimentação escolar e a luta das mulheres frente à crise ambiental. Também foi debatida a iniciativa do Financiamento Popular de Alimentos Saudáveis (Finapop), que visa garantir a autonomia financeira dos pequenos produtores e fortalecer a comercialização de alimentos saudáveis.
Encerramento e legado
O evento foi encerrado de forma simbólica com a doação de alimentos produzidos nos assentamentos, reforçando a solidariedade como um dos princípios do MST. A feira consolidou-se como um espaço de resistência e celebração da cultura, reafirmando o compromisso com a agroecologia, a luta pela reforma agrária e a valorização dos trabalhadores do campo.
A realização da feira foi possível graças à parceria entre MST, CooperAmazônia e diversas instituições, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), IFTO, UFT, Fundação Cultural de Palmas, Coletivo Somos, Conab, Incra, SPU, Governo do Tocantins, Ruraltins e Prefeitura de Palmas.
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