A Inteligência Artificial (IA) pode impactar profundamente o mercado de trabalho nos próximos anos, com a possibilidade de eliminar até 92 milhões de empregos até 2030, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial. O impacto deverá ser mais severo em países desenvolvidos, onde até 60% das vagas podem ser afetadas pela automação.
Apesar do alerta, especialistas afirmam que a transformação não será exclusivamente negativa. A mesma tecnologia que pode substituir empregos também pode gerar até 170 milhões de novas funções, impulsionadas pelo aumento da produtividade e pela criação de novas demandas.
Grandes empresas já estão adotando a IA de forma estratégica. Amazon, Microsoft, Shopify e Duolingo vêm promovendo demissões em massa e reestruturando equipes. A Amazon confirmou que pretende reduzir seu quadro de funcionários em setores que podem ser automatizados. A Shopify, por sua vez, passou a exigir que cada nova contratação seja justificada com a prova de que a IA não pode executar a tarefa.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que 25% dos empregos globais estejam sob alto risco de extinção. Diferentemente de revoluções tecnológicas anteriores, a IA agora ameaça profissões de alta qualificação, como programadores, analistas de dados, contadores e redatores técnicos — funções até então consideradas seguras.
Por outro lado, ocupações que envolvem interação humana direta ou esforço físico — como trabalhadores da construção civil, bombeiros e cuidadores — estão entre as mais difíceis de serem automatizadas.
O debate sobre os riscos éticos também ganhou espaço. O papa Leão 14 fez um alerta recente sobre os impactos da IA na dignidade humana e na qualidade das relações de trabalho. Mesmo assim, muitos economistas mantêm uma visão otimista.
Para Enzo Weber, pesquisador do Instituto IAB na Alemanha, a IA tende mais a transformar do que a eliminar o trabalho:
“Ela permite que os humanos desenvolvam novas funções e executem tarefas de forma mais eficiente.”
Um estudo da Universidade de Harvard também aponta que, em certos setores, a automação pode aumentar a oferta de empregos, graças à elevação da produtividade proporcionada pelas ferramentas inteligentes.
Apesar das incertezas quanto ao impacto de longo prazo, especialistas concordam em um ponto: a adaptação será fundamental.
“A IA é um divisor de águas. Mas exige capacitação e disposição para mudança”, finaliza Weber.
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