Notícias do Tocantins – Ter o próprio negócio se tornou o principal sonho profissional da juventude brasileira. Segundo uma pesquisa nacional de opinião pública encomendada pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL) e realizada pela Ágora Consultores, 57% dos brasileiros entre 16 e 29 anos afirmam que a carreira ideal é empreender, superando a preferência por empregos formais com carteira assinada ou cargos no funcionalismo público.
O levantamento ouviu 9.497 pessoas em todo o país, de diferentes classes sociais, entre os dias 17 e 23 de novembro de 2025, e teve seus principais resultados divulgados em primeira mão pela Revista Liberta. O objetivo foi mapear percepções e expectativas da população brasileira em relação ao trabalho e ao futuro profissional.
De acordo com os dados, o desejo de abrir o próprio negócio é mais comum entre homens, pessoas com ensino fundamental completo e entre pretos e pardos. A preferência pelo empreendedorismo também aparece de forma mais intensa entre entrevistados que se identificam como de direita ou centro-direita.
Para Diego Villanueva, diretor da Ágora Consultores, a imagem que predomina entre os jovens quando se fala em sucesso profissional é a do influenciador digital. “Os exemplos mais visíveis hoje são de pessoas que ganham dinheiro com redes sociais, acumulam patrimônio rapidamente e aparentam trabalhar poucas horas por dia”, afirma. Embora reconheça que a realidade do empreendedorismo envolva longas jornadas e múltiplas funções, Villanueva destaca que essa alternativa se apresenta como mais concreta do que o emprego formal para muitos jovens.
A pesquisa indica ainda que valores como liberdade, autonomia e independência financeira são frequentemente associados ao empreendedorismo, enquanto a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aparece, para parte dos entrevistados, ligada à dependência do empregador e à elevada carga tributária. Outro fator apontado é a desconexão com sindicatos e movimentos trabalhistas, o que reforça visões mais individualistas sobre o mercado de trabalho.
Quando analisadas as faixas etárias, o interesse pelo negócio próprio diminui conforme a idade avança. Entre pessoas de 30 a 44 anos, o percentual cai para 48%; entre 45 e 59 anos, para 36%. A partir dessa faixa, o emprego estável volta a ganhar relevância, sobretudo entre adultos mais velhos e idosos.
O estudo também aponta que o discurso do empreendedorismo encontra maior adesão entre campos ideológicos ligados à direita. Entre os entrevistados que se identificam como centro-direita, 66% preferem empreender; entre os que se declaram de direita, o índice é de 54%. Já entre os que se posicionam à esquerda, os percentuais são menores: 19% na centro-esquerda e 34% na esquerda.
Por outro lado, 31% dos entrevistados afirmaram preferir um emprego estável com direitos e benefícios, como os oferecidos pelo setor público. Essa escolha é mais comum entre mulheres, pessoas com ensino superior completo e entre aqueles que recebem mais de R$ 5 mil mensais. Na etapa qualitativa da pesquisa, a busca por segurança financeira, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e menor exposição a riscos aparece como motivação central desse grupo.
Outro 11% optou por trabalhar para terceiros, desde que bem remunerados, sem assumir os riscos de um negócio próprio. Já 6% afirmaram priorizar a realização pessoal, mesmo com baixa remuneração, enquanto 9% não souberam responder.
Metodologicamente, a pesquisa utilizou painel on-line, com amostragem estratificada por Unidade da Federação, aplicação de cotas por sexo, idade e área geográfica, além de procedimentos de ponderação e controle de qualidade. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de ±1 ponto percentual.
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