Notícias do Tocantins – Uma mulher de 22 anos, identificada como Ingrid Lorane Negreiros Santos, foi morta a facadas na noite de sábado (3) dentro de uma residência no setor Taquari, região sul de Palmas, no Tocantins. O principal suspeito do crime é o companheiro da vítima, um homem de 36 anos, que foi preso pela Polícia Militar em menos de 24 horas após o ocorrido.
De acordo com a Polícia Militar do Tocantins (PMTO), a corporação foi acionada por volta das 20h para atender uma ocorrência de ferimento por arma branca. No local, as equipes constataram que a vítima havia sido gravemente ferida no interior da casa. O socorro médico chegou a ser realizado, mas o óbito foi confirmado ainda durante o atendimento.
Informações preliminares apontam que o suspeito havia ingerido bebida alcoólica antes do crime. Após desferir os golpes contra Ingrid, ele fugiu do local utilizando uma motocicleta, tomando rumo ignorado.
Durante o atendimento da ocorrência, foram encontradas duas crianças, filhos do casal, com idades entre 2 e 6 anos. O Conselho Tutelar foi acionado e ficou responsável pela adoção das medidas de proteção às crianças.
A residência foi isolada para os trabalhos da Perícia Técnica, que realizou a análise do local para identificar a dinâmica do crime. O corpo da vítima foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML) e encaminhado para exames de necropsia. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.
Prisão do suspeito
Na manhã deste domingo (4), em continuidade às diligências, equipes do Batalhão de Choque (BPCHOQUE) e das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM) localizaram e prenderam o principal suspeito do feminicídio.
O homem foi conduzido à 2ª Central de Atendimento da Polícia Civil (2ª CAPC), onde foi apresentado à autoridade policial e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Militar destacou que a prisão foi resultado de trabalho integrado, diligências contínuas e uso de inteligência policial.
Números de femicídios no Tocantins
O Tocantins chegou a 19 casos de mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica ao longo de 2025. O número representa um aumento de 46% em relação a 2024, quando foram registrados 13 feminicídios, segundo dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO).
As investigações indicam que, na maioria dos casos, as vítimas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, homens que não aceitaram o fim do relacionamento, geralmente marcado por histórico de agressões físicas, psicológicas ou ameaças.
Outro dado que chama atenção é o local dos crimes. Grande parte dos feminicídios ocorreu dentro das residências das vítimas, ambiente que deveria representar segurança. No entanto, estatísticas da SSP mostram que mulheres também foram mortas em estabelecimentos comerciais, vias públicas, zonas rurais, áreas periurbanas e até em represas.
A designer de unhas Lilia Batista, que viveu por dois anos em um relacionamento abusivo, relatou que o ciclo da violência começou de forma sutil e evoluiu rapidamente para agressões graves e tentativas de homicídio. Segundo ela, a dificuldade de acesso a proteção efetiva e o medo impediram uma denúncia mais rápida.
“No início eu era a princesa da vida dele. Depois começaram as agressões psicológicas e, quando eu quis sair, vieram as agressões físicas. Ele tentou me matar várias vezes”, relatou.
Lilia afirmou que buscou ajuda em delegacias de outro estado, mas, sem se sentir protegida, decidiu se mudar para o Tocantins em busca de segurança para si e para a filha.
Casos recentes no estado
Entre os casos mais recentes registrados em 2025 está o assassinato de Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, de 35 anos, em Gurupi, no sul do estado. O principal suspeito é o esposo da vítima, de 41 anos, que teria permanecido com o corpo por cerca de 24 horas antes de enterrá-lo em uma área de mata. O crime foi descoberto após a filha do casal, de 18 anos, acionar a Polícia Militar ao desconfiar do desaparecimento da mãe.
Em Arraias, no sudeste do Tocantins, Aliny Pereira de Ornelas, de 25 anos, foi morta pelo ex-companheiro, que, segundo a investigação, não aceitava o fim do relacionamento. Após o crime, o homem tirou a própria vida.
Outro caso que gerou grande repercussão ocorreu em Figueirópolis, onde a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos, foi assassinada a tiros. A Polícia Civil apurou que o crime foi encomendado por R$ 5 mil, e dois homens foram presos, incluindo o suspeito de ser o mandante.
Já em Esperantina, Antônia Taynara Sousa Silva, de 20 anos, foi morta a facadas dentro de casa. O companheiro foi preso em flagrante e, segundo a investigação, a jovem já sofria violência doméstica recorrente.
Denúncias e atendimento às vítimas
As forças de segurança reforçam que denúncias podem ser feitas pelos telefones 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 153 (Guarda Metropolitana). Segundo o comandante da Guarda Metropolitana de Palmas, Gilmar Fernandes, há orientação para que vítimas utilizem até mesmo códigos ou pedidos simulados para acionar ajuda sem levantar suspeitas do agressor.
Entre agosto e novembro de 2025, a Casa da Mulher Brasileira, em Palmas, realizou 915 atendimentos a mulheres vítimas de violência, oferecendo desde acolhimento psicossocial até abrigamento institucional, conforme informou a Secretaria Municipal de Ação Social.
Panorama do feminicídio no Tocantins em 2025
De acordo com dados consolidados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-TO), o Tocantins registrou 19 feminicídios em 2025, considerando os casos confirmados até o fim de dezembro. Os números apontam que:
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7 crimes ocorreram dentro de residências
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5 em áreas rurais
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1 em via pública
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1 em represa
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Outros casos em zonas urbanas e periurbanas
As cidades com maior número de ocorrências foram Gurupi (5 casos) e Tocantinópolis (3 casos). A maioria dos crimes aconteceu no período noturno, sendo novembro o mês com mais registros. A segunda-feira foi o dia da semana com maior incidência.
Na esfera judicial, mais de 12 mil processos relacionados à violência contra a mulher tramitam atualmente no estado. Somente em 2025, o Judiciário tocantinense julgou mais de 70 ações envolvendo feminicídio e mais de 4 mil processos de violência doméstica, segundo dados oficiais.
Autoridades destacam que, apesar do aumento das denúncias, os números ainda refletem uma realidade marcada por machismo estrutural, relações abusivas e dificuldade de rompimento do ciclo de violência, reforçando a necessidade de políticas públicas permanentes de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Infográfico | Feminicídios no Tocantins em 2025
Levantamento da Secretaria da Segurança Pública mostra que a maioria dos casos ocorreu dentro de residências, seguida por zonas rurais e áreas urbanas/periurbanas.

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