Notícias do Tocantins – Uma operação integrada de fiscalização apreendeu mais de 800 quilos de agrotóxicos contrabandeados que tinham como destino final o estado do Tocantins. A ação foi realizada na última quinta-feira (22), no município de Edeia, em Goiás, e contou com a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), das polícias Militar e Civil de Goiás e da Receita Federal do Brasil.
A carga ilegal foi interceptada na rodovia GO-320, durante a abordagem de dois veículos que transportavam os produtos escondidos em embalagens de fertilizantes, estratégia utilizada para dificultar a fiscalização. De acordo com as investigações, os agrotóxicos saíram do Paraguai e seriam distribuídos em território tocantinense.
Segundo o Ibama, os produtos apreendidos são proibidos no Brasil e representam riscos significativos ao meio ambiente e à saúde humana, tanto durante o manuseio quanto por meio do consumo de alimentos contaminados. Para identificar as substâncias, os fiscais utilizaram um equipamento com tecnologia de espectroscopia de infravermelho, capaz de analisar e quantificar compostos químicos a partir da chamada “impressão digital” molecular.
O analista ambiental do Ibama Jesse Rosa, que coordenou a operação, destacou que a tecnologia permite maior rapidez e precisão na identificação dos produtos ilegais, reforçando a eficiência das ações de combate ao contrabando de defensivos agrícolas.
Durante a fiscalização, um homem foi detido e encaminhado à Delegacia da Polícia Civil de Edeia. Uma caminhonete utilizada no transporte, além de toda a carga irregular, foi apreendida. O prejuízo estimado ao grupo envolvido no contrabando é de aproximadamente R$ 1,2 milhão.
Falhas no monitoramento
A apreensão ocorre em meio a lacunas no monitoramento oficial dos impactos dos agrotóxicos sobre a saúde da população no Tocantins. Levantamento do Jornal Opção Tocantins aponta que, apesar de o agronegócio ser um dos principais pilares da economia estadual, apenas sete dos 21 municípios classificados como prioritários pelo Ministério da Saúde possuem a Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA) formalmente implantada.
O dado revela que grande parte das áreas com maior risco potencial de exposição ainda não atende aos critérios nacionais de vigilância, o que acende um alerta sobre a necessidade de ampliar o controle e a fiscalização do uso de agrotóxicos no estado.
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