Notícias do Tocantins – A Polícia Federal (PF) identificou Marcus Vinícius Santana como o suposto “operador financeiro” do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) em um esquema de desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19.
Fotos incluídas no inquérito mostram o investigado com grandes quantias de dinheiro em espécie, enquanto mensagens interceptadas revelam que propinas eram chamadas de “bênçãos” pelos envolvidos.
As provas fazem parte da decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o afastamento de Wanderlei Barbosa e da primeira-dama, Karynne Sotero, por 180 dias. Ambos são investigados na segunda fase da Operação Fames-19, que apura contratos suspeitos firmados entre 2020 e 2021.
Como funcionava o suposto esquema
Segundo o relatório da PF, Marcus Vinícius atuava na movimentação financeira, realizando transferências e saques que eram repassados a Taciano Darcles, ex-assessor do governador, ou a Thiago Barbosa, sobrinho de Wanderlei. Esses valores seriam posteriormente entregues em espécie aos demais envolvidos.
O ministro destacou que a organização criminosa “dissimularia e camuflaria” o fluxo de dinheiro para impedir rastreamento. Além das propinas, parte dos recursos desviados teria sido utilizada para despesas pessoais do governador.
Conversas e repasses
Entre as mensagens obtidas, investigados trocavam informações sobre valores. Em uma delas, Wilton Pires envia a foto de uma pilha de dinheiro para o irmão Paulo Cesar Lustosa (PC Lustosa), suspeito de negociar propinas e receber mais de R$ 1,3 milhão. Nos diálogos, os pagamentos eram chamados de “bênçãos”.
Dinheiro apreendido
Na primeira fase da operação, em agosto de 2024, a PF encontrou R$ 32,2 mil em espécie no gabinete de Wanderlei Barbosa, além de carimbos oficiais. Na residência do governador, foram localizados mais R$ 35,5 mil, US$ 1,1 mil e 80 euros.
Para os investigadores, os saques em grandes quantias e o dinheiro apreendido reforçam os indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro dentro do Executivo estadual.
Defesa dos citados
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Wanderlei Barbosa afirmou respeitar a decisão do STJ, mas classificou a medida como “precipitada”, alegando que os contratos investigados foram firmados quando ainda era vice-governador.
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Karynne Sotero declarou que vai comprovar sua inocência.
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Thiago Barbosa disse ter sido citado por engano e pediu a exclusão de seu nome das investigações.
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A Setas informou colaborar com os órgãos de controle.
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A defesa de Mauro Carlesse, ex-governador, negou qualquer envolvimento e destacou que ele não é investigado.
Prejuízo aos cofres públicos
Segundo a PF, o esquema teria desviado mais de R$ 73 milhões de um total de R$ 97 milhões em contratos pagos pelo Estado. Os recursos públicos teriam sido ocultados por meio da compra de gado, construção de imóveis de luxo e outras despesas pessoais.
Os investigados respondem por crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e formação de organização criminosa.
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