Notícias do Tocantins – A Polícia Federal investiga uma denúncia anônima que aponta a existência de uma organização criminosa envolvida em fraudes e invasões de terras públicas na Gleba Taquaruçu, em Palmas. As áreas pertencem ao Projeto de Assentamento Sítio (PA Sítio), sob gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Segundo o documento, o grupo teria se organizado para enganar famílias interessadas na reforma agrária, prometendo vagas no assentamento mediante o pagamento de valores entre R$ 100 e R$ 150. Os suspeitos criaram grupos no WhatsApp e Telegram, intitulados “Grupo dos pessoal que já fizeram o cadastro (sic)”, onde divulgavam vídeos de barracos sendo erguidos e incentivavam a ocupação irregular da área.
Cobrança e uso indevido do nome do Incra
A denúncia detalha que os pagamentos eram realizados por Pix para contas pessoais, indicando tentativa de obtenção de vantagem ilícita. Além disso, os envolvidos usavam o nome do Incra e símbolos de movimentos sociais para dar aparência de legitimidade às ações.
Há relatos de que alguns invasores estariam armados e praticando atos de intimidação na região.
Incra nega envolvimento e adota medidas de segurança
O Incra informou que não tinha conhecimento prévio da denúncia e reforçou que não autoriza nem apoia invasões em seu nome. Em nota, a Superintendência Regional no Tocantins esclareceu que o PA Sítio foi criado a partir da desapropriação de terras improdutivas e que as 40 vagas disponíveis serão preenchidas exclusivamente por meio do processo seletivo regular, realizado entre 8 e 22 de setembro, com mais de mil inscrições recebidas.
Um conciliador agrário esteve na área no dia 3 de novembro e dialogou com cerca de 20 famílias acampadas, explicando que somente os aprovados no processo oficial terão direito à posse dos lotes.
A autarquia também afirmou que acionou órgãos de segurança pública para garantir a ordem, a integridade das famílias e a proteção do patrimônio público federal.
Investigação e possíveis crimes
A Polícia Federal confirmou o recebimento do documento e informou que o caso será investigado. As práticas relatadas podem configurar associação criminosa, invasão de terras públicas, falsidade ideológica e estelionato.
O material entregue à PF inclui nomes, contatos, chaves Pix e capturas de tela de conversas que indicariam a atuação coordenada do grupo. A denúncia também alerta para o risco de prejuízo à credibilidade dos processos de reforma agrária, podendo desestimular famílias que participam de forma legítima.
Sinais de alerta para as famílias
-
Pedido de pagamento via Pix ou conta pessoal para “garantir” lote;
-
Convite para listas paralelas fora do edital oficial;
-
Pessoas que se apresentam como representantes do Incra sem identificação funcional;
-
Incentivo à ocupação sem convocação formal do órgão.
Nota do Incra
“O Incra reitera que não incentiva, apoia ou autoriza invasões de terras em seu nome. Todas as vagas do PA Sítio serão preenchidas por meio do processo seletivo oficial, conforme critérios técnicos e legislação vigente. A Superintendência Regional do Tocantins já adotou providências junto aos órgãos de segurança para preservar a ordem e o patrimônio público.”
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias
