A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (18), quatro mandados de busca e prendeu preventivamente o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, suspeito de repassar informações sigilosas de inquéritos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para políticos e magistrados do Tocantins. Segundo a investigação, Thiago teria obtido acesso ao inquérito sobre a compra de cestas básicas pelo governo estadual e repassado os documentos ao seu tio, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
O caso faz parte de uma nova fase da Operação Sisamnes, que apura um esquema de vazamento de informações sigilosas e venda de decisões judiciais. A operação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem conexão com a Operação Máximus, que afastou o desembargador Helvécio de Brito Maia Neto em agosto de 2024.
Conversas apontam repasse de inquérito sigiloso
De acordo com a decisão do STF, conversas encontradas pela PF indicam que Thiago Barbosa teria conseguido acesso integral ao inquérito e transferido os dados para um pendrive antes de repassá-los ao governador Wanderlei Barbosa. Em um dos trechos das mensagens interceptadas, Thiago afirma:
“Esse inquérito estava em segredo de justiça no STJ com [ministro] e eu consegui o acesso a ele total, inclusive passei, botei no pendrive, passei pra tio Wanderlei.”
O governador, apesar de citado na decisão do STF, não é alvo direto da operação. Sua defesa alegou que ele já possuía acesso regular ao inquérito desde abril de 2024 e que não houve qualquer recebimento de informação privilegiada.
Prisões e buscas da Polícia Federal
Além da prisão de Thiago Barbosa, a PF realizou buscas contra o procurador de Justiça Ricardo Vicente da Silva, chefe do advogado no Ministério Público do Tocantins (MPTO). Até o momento, a defesa do procurador afirmou que não teve acesso ao inquérito e, por isso, não vai se manifestar.
Outro preso na operação foi o jornalista e ex-prefeito de Almas, Goianyr Barbosa de Carvalho, que foi detido em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro. Durante as buscas, a PF encontrou R$ 22,5 mil em uma mochila na casa onde ele mora com o filho. Segundo a defesa, Goianyr teria jogado o dinheiro pela varanda ao confundir a ação policial com um assalto.
Origem da investigação
A operação teve início a partir da análise do celular do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, apreendido na Operação Máximus. As mensagens revelaram um suposto esquema de venda de informações sigilosas envolvendo servidores do STJ, advogados e políticos.
“A análise do aparelho celular sugere uma trama que envolve a participação de servidores do STJ para fornecer acesso indevido a dados sigilosos, inclusive no âmbito de investigações criminais em andamento”, diz a decisão.
O STJ afirmou que não vai comentar sobre a operação da PF. Já o MPTO informou que está colaborando com as investigações e que exonerou o servidor citado na investigação.
Nota do Governo do Tocantins
Em nota, a defesa do governador Wanderlei Barbosa reafirmou que ele já possuía acesso regular ao inquérito da Operação Fames-19 e que não houve repasse de informações privilegiadas. A defesa também destacou que Thiago Barbosa e Goianyr Barbosa não possuem qualquer vínculo com o Governo do Tocantins.
A matéria foi produzida com base em informações divulgadas pelo portal G1 Tocantins.
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