Um novo aplicativo voltado à gestão e comercialização da produção de derivados do babaçu foi lançado nesta segunda-feira (24) em Augustinópolis, Tocantins. A ferramenta busca fortalecer a autonomia de mulheres quebradeiras de coco e jovens da região, promovendo uma gestão mais eficiente e conectada ao mercado. O projeto é resultado da parceria entre a Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP) e a organização Alternativas para Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO), com apoio do Programa Agora, do Serpro.
Desenvolvido de forma participativa, o aplicativo será adotado inicialmente por cerca de 50 mulheres, que receberão capacitação para utilizar a tecnologia na gestão de suas atividades. A ferramenta permite o registro e monitoramento de dados em tempo real, facilitando o controle das etapas de produção e venda. A proposta é minimizar falhas de comunicação e aprimorar a organização coletiva, tornando o extrativismo mais eficiente e rentável.
Tecnologia para autonomia e crescimento
Para Maria do Socorro Teixeira, coordenadora da ASMUBIP, a nova ferramenta representa um grande avanço na gestão dos produtos derivados do babaçu. “Esse aplicativo vai nos ajudar muito a entender o que antes não conseguíamos registrar. Produzimos azeite, carvão, sabão e mesocarpo, mas muitas vezes sem um controle adequado. Agora, teremos um meio de divulgar nossa produção e organizar melhor nossa atividade”, afirmou.
Regina Faria, gerente de Responsabilidade Social do Serpro, destacou que a iniciativa não apenas moderniza a produção, mas também fortalece a governança local. “O aplicativo é uma ponte entre quem produz e o mercado, garantindo maior visibilidade para essas mulheres. Além disso, traz uma abordagem humanizada para enfrentar desafios sociais e promover autonomia financeira”, disse.
Capacitação e expansão
Além da disponibilização do aplicativo, o projeto prevê ações de acompanhamento e suporte técnico, incluindo oficinas práticas e assessoria contínua para que as participantes dominem a tecnologia e aproveitem ao máximo seus benefícios.
A expectativa é que a ferramenta tenha um efeito multiplicador na região, com as mulheres capacitadas estimulando a adoção da solução por outros grupos agroecológicos. “Queremos que o aplicativo se torne uma referência, não só para as quebradeiras de coco, mas para toda a produção agroecológica local”, ressaltou Regina Faria.
Programa Agora e inclusão digital
O projeto conta com apoio do Programa Agora, criado pelo Serpro para promover a inclusão digital e social de grupos minorizados. Desde 2023, a iniciativa está dividida em duas frentes: o Agora 3T, que capacita pessoas trans e travestis em tecnologia e empreendedorismo digital, e o Agora 2M, voltado para a inclusão de mulheres negras, indígenas e quilombolas no setor tecnológico. Com um investimento inicial de R$ 1 milhão, o programa tem impactado diversas comunidades, promovendo oportunidades e contribuindo para um Brasil mais inovador e igualitário.
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