Notícias do Tocantins – Dois dos três senadores do Tocantins — Eduardo Gomes (PL) e Professora Dorinha (União Brasil) — assinaram o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolado nesta semana no Senado Federal. A iniciativa, capitaneada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusa Moraes de abuso de autoridade no inquérito das fake news e em investigações sobre atos antidemocráticos.
O senador Irajá Abreu (PSD), por outro lado, não aderiu ao movimento, reforçando sua distância de pautas ligadas à ala mais conservadora do Congresso. A decisão tem ganhado atenção em Brasília e influencia diretamente os bastidores da política tocantinense e nacional.
Repercussão nacional e implicações locais
A lista de apoiadores do impeachment já reúne 40 assinaturas — apenas uma a menos do necessário para que a proposta seja formalmente admitida no plenário do Senado. Apesar disso, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não deu sinal de que colocará o pedido em análise, reiterando que não há clima para isso e que se trata de uma medida de “gravidade extrema” e que exige fundamentação jurídica robusta. Alcolumbre já arquivou mais de 30 pedidos semelhantes.
O gesto de Eduardo Gomes, ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso, era esperado. Já a assinatura de Professora Dorinha, que costuma manter uma postura institucional moderada, causou surpresa. Analistas políticos interpretam o ato como tentativa de se aproximar do eleitorado bolsonarista, especialmente de olho na disputa pelo governo do Tocantins em 2026, para a qual ela é pré-candidata.
Irajá, por sua vez, foi o único senador tocantinense a não assinar o pedido, o que gerou elogios de aliados do presidente Lula. A posição foi endossada por sua mãe, a ex-senadora Kátia Abreu, que publicou nas redes sociais: “Ninguém pode ser punido por cumprir a Constituição Federal”.
Lula quer mais apoio no Senado — e de olho no Tocantins
Fontes ligadas ao Palácio do Planalto indicam que Lula está empenhado em ampliar sua base no Senado, onde muitos projetos do governo enfrentam resistência. Nesse contexto, o Tocantins entrou no radar político do presidente.
Kátia Abreu, com histórico de lealdade aos governos petistas e forte trânsito entre o agronegócio e a esquerda, aparece como peça-chave. No entanto, o filho, senador Irajá, já afirmou que buscará a reeleição, o que pode gerar conflito dentro da família. Há especulações de que Lula deseja apenas um “Abreu” no seu palanque em 2026, e convencer Irajá a abrir mão da candidatura seria um desafio.
Eduardo Siqueira e as articulações nos bastidores
Outro nome com influência na equação é o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. Ele e Kátia Abreu se reuniram recentemente e têm mantido diálogo político. Foi a ex-senadora quem atuou em Brasília para garantir a recondução de Eduardo ao cargo após decisão judicial do STF.
Apesar disso, Eduardo Siqueira só deve apoiar um nome ao Senado se seu aliado preferido, Vicentinho Júnior (PP), não disputar. Caso contrário, a aliança com os Abreu pode ser reavaliada. Também há quem aposte que outro membro da família Abreu, como Iratã Abreu, possa sair candidato à Câmara Federal.
O que diz o pedido de impeachment
O documento apresentado no Senado acusa Alexandre de Moraes de extrapolar os limites constitucionais, citando decisões monocráticas, bloqueios de redes sociais, prisões preventivas sem julgamento, investigações conduzidas sem o Ministério Público e sanções a parlamentares e jornalistas por declarações políticas.
Entre os 40 signatários estão nomes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Damares Alves (Republicanos-DF), Sergio Moro (União Brasil-PR), Marcos Pontes (PL-SP) e Rogério Marinho (PL-RN), além dos tocantinenses Eduardo Gomes e Professora Dorinha.
Conclusão
A divisão dos senadores tocantinenses sobre o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes reflete um cenário político em ebulição, onde decisões no presente já moldam alianças e estratégias para o futuro. Tocantins, mais uma vez, se mostra estratégico nas articulações entre os poderes em Brasília.
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