Na última semana, uma tragédia marcou o noticiário local e nacional. Maria Alice Guimarães da Silva, de 25 anos, morreu após um grave acidente de trânsito na BR-153, em Araguaína, no norte do Tocantins. A jovem, que se deslocava de moto para o trabalho, foi atingida por um carro conduzido por um jovem de 21 anos, que estava alcoolizado e não possuía habilitação.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista dirigia a cerca de 200 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h — um excesso de aproximadamente 233%. Maria Alice faleceu no local, deixando dois filhos, um de seis meses e outro de nove anos.
“Ela batalhou muito para conseguir a moto e ir trabalhar. É uma dor imensa, estamos devastados. Queremos justiça pela minha irmã, pelos filhos dela e por todas as vítimas do trânsito”, desabafou Fabíola Guimarães, irmã da vítima.
O perigo do excesso de velocidade
O caso reacende o alerta sobre os riscos do excesso de velocidade, uma das infrações mais comuns no Tocantins. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins (Detran/TO), nos últimos três anos, a maioria das infrações registradas no estado foi por desrespeito aos limites de velocidade. Apenas em 2024, até fevereiro, foram 120.792 multas aplicadas por esse motivo.
Multas por excesso de velocidade no Tocantins:
- 2022: 147.899 infrações
- 2023: 162.937 infrações
- 2024: 120.792 infrações (até fevereiro de 2024)
- 2025: 18.060 infrações (até fevereiro)
Estudos apontam consequências da alta velocidade
Um estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), revelou que motoristas frequentemente ultrapassam os limites de velocidade sem real necessidade. A pesquisa monitorou 32 motoristas por 15 dias e constatou que:
- Muitos desrespeitam os limites estabelecidos nas vias.
- A economia de tempo ao dirigir acima do permitido é insignificante — em média, apenas 8 segundos por quilômetro.
- Em um percurso de 5 km, respeitar a velocidade levaria apenas 40 segundos a mais.
- Reduzir a velocidade poderia prevenir sinistros e minimizar a gravidade dos acidentes.
Limites de velocidade no Brasil
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece os seguintes limites para vias urbanas e rurais:
Vias Urbanas:
- Trânsito rápido: 80 km/h
- Arteriais: 60 km/h
- Coletoras: 40 km/h
- Locais: 30 km/h
Vias Rurais:
- Rodovia de pista dupla: 110 km/h para automóveis e 90 km/h para demais veículos
- Rodovia de pista simples: 100 km/h para automóveis e 90 km/h para demais veículos
- Estradas: 30 km/h
Esses limites são definidos com base em estudos técnicos, considerando as características da via e o fluxo de veículos. “O objetivo é garantir a segurança dos motoristas e pedestres”, explica Enildo Leite, gerente de fiscalização e segurança do Detran/TO.
Ações para reduzir acidentes
O Governo do Tocantins, por meio do Detran/TO, tem intensificado campanhas de conscientização e fiscalização para reduzir os sinistros de trânsito. Em 2024, o foco das ações está no combate ao excesso de velocidade, seguindo diretrizes do Governo Federal. O lema da campanha deste ano é “Desacelere. Seu bem maior é a vida!”.
Além da fiscalização contínua, o Detran/TO realiza campanhas educativas em momentos estratégicos, como no Maio Amarelo, na Semana Nacional do Trânsito e nas férias de julho, dezembro e janeiro.
“O nosso compromisso é com a vida. Precisamos conscientizar os condutores sobre os perigos de dirigir acima do limite permitido. O excesso de velocidade é um dos principais fatores de acidentes fatais, e estamos trabalhando para reduzir esses números”, afirmou Willian Gonzaga, presidente do Detran/TO.
O caso de Maria Alice reforça a necessidade de mais conscientização e rigor na fiscalização para evitar que tragédias como essa se repitam. A família da jovem agora clama por justiça e medidas mais efetivas para punir motoristas imprudentes.
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