Araguaína/TO – O Ministério Público do Tocantins (MPTO) investiga um suposto vazamento de prova do concurso público de Araguaína, no norte do estado. De acordo com as informações apuradas pela 6ª Promotoria de Justiça de Araguaína, um caderno de questões teria circulado em grupos de WhatsApp antes da divulgação oficial da prova pela banca organizadora.
As denúncias chegaram à Ouvidoria e à 6ª Promotoria nos dias 23 e 24 de agosto, período em que as provas do concurso foram aplicadas.
Segundo o MPTO, o material que teria sido compartilhado antecipadamente corresponde ao cargo de analista administrativo. Uma análise inicial da promotoria apontou que o documento teria circulado por volta das 11h39, antes de a prova ser disponibilizada oficialmente pela banca.
O Ministério Público solicitou documentos e esclarecimentos para verificar se o arquivo compartilhado corresponde, de forma parcial ou integral, ao caderno de questões utilizado no concurso.
A banca organizadora, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Capacitação (IDIB), também deverá apresentar informações sobre as etapas de elaboração, impressão, acesso, transporte e distribuição das provas.
MPTO apura outras denúncias no concurso de Araguaína
Além do possível vazamento da prova, o Ministério Público recebeu relatos de outras situações que teriam ocorrido durante a aplicação do concurso.
Entre as denúncias está uma possível diferença na fiscalização dos candidatos. Segundo os relatos, algumas pessoas teriam sido orientadas a utilizar apenas garrafas transparentes e sem rótulos, enquanto outros candidatos permaneceram nos locais de prova com garrafas térmicas e sacolas de supermercado.
Também foram relatados problemas relacionados ao horário de início das provas. Em uma das salas, candidatos que já haviam assinado a lista de presença teriam começado a responder às questões enquanto outros ainda aguardavam a chegada de seus nomes para realizar a assinatura.
Antes da aplicação das provas, candidatos também teriam relatado inconsistências no cartão-resposta, problemas nas condições de acesso aos locais de prova e demora no período de espera antes da abertura dos portões.
Banca e Prefeitura terão 10 dias para prestar esclarecimentos
O MPTO estabeleceu prazo de 10 dias para que a banca organizadora e a Prefeitura de Araguaína apresentem os documentos e esclarecimentos solicitados.
A promotoria também pediu informações à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre as ocorrências relatadas.
A Subseção da OAB de Araguaína informou que acompanha o caso e que pretende encaminhar as irregularidades apontadas ao Conselho Seccional para análise e eventual adoção das medidas cabíveis.
Até o momento, a apuração ainda busca esclarecer se houve efetivamente vazamento de questões e, caso confirmado, em que circunstâncias o material teria sido obtido e compartilhado antes da divulgação oficial.
Concurso de Araguaína teve mais de 38 mil inscritos
O concurso público de Araguaína oferece 1.533 vagas para diferentes áreas da administração municipal. As oportunidades contemplam o quadro geral do Executivo, a Secretaria Municipal da Educação, o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores, a Procuradoria Municipal e a Agência Municipal de Segurança, Transporte e Trânsito.
O certame registrou 38.350 inscritos. Entre os cargos, o de procurador municipal apresentou a maior concorrência, com 542 candidatos por vaga.
Os salários chegam a R$ 16.458,70, conforme o cargo.
Prefeitura diz que ainda não foi oficialmente notificada
Em nota, a Prefeitura de Araguaína informou que não foi oficialmente notificada pelo Ministério Público do Tocantins sobre a apuração.
O município afirmou ainda que a comissão responsável pelo concurso continua monitorando os procedimentos relacionados ao certame e que acompanhará eventuais desdobramentos ou solicitações dos órgãos competentes.
A Prefeitura também declarou que prestará os esclarecimentos e fornecerá as informações solicitadas dentro dos procedimentos legais.
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias 💻📱
