A realidade retratada na minissérie “Adolescência”, da Netflix, não é apenas ficção. O drama abordado na produção reflete desafios enfrentados por milhares de crianças e adolescentes no Brasil, especialmente no ambiente digital. Um relatório divulgado nesta quinta-feira (3) pela InHope, associação internacional que reúne 55 canais de denúncia de crimes online, apontou o Brasil como um dos países com maior detecção de material de abuso infantil na internet.
De acordo com o levantamento, a SaferNet Brasil foi o quinto canal de ajuda que mais identificou páginas contendo material de abuso sexual de crianças e adolescentes em 2024. O país ficou atrás apenas de Bulgária, Reino Unido, Holanda e Alemanha. Ao todo, foram 52.999 páginas denunciadas, sendo que 10.823 foram encaminhadas para autoridades internacionais por envolver vítimas estrangeiras ou crimes ocorridos fora do território brasileiro.
A relação entre o digital e a vulnerabilidade juvenil
A minissérie da Netflix aborda temas como violência sexual, machismo, bullying, misoginia e masculinidade tóxica, mostrando como essas questões são amplificadas pela exposição dos jovens às redes sociais. A trama acompanha a história de Jamie Miller, um adolescente de 13 anos acusado do assassinato de uma colega de classe, trazendo à tona debates urgentes sobre a influência do ambiente digital na saúde mental dos jovens.
Segundo o portal ICL Notícias, no Brasil, 1.155 páginas contendo material de abuso infantil foram identificadas e analisadas pelo Núcleo Técnico de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal (MPF), que encaminhou os casos para investigação. Especialistas alertam que a internet não tem fronteiras, o que torna fundamental a cooperação internacional no combate a crimes dessa natureza.
Brasil é um dos maiores consumidores de material ilegal na web
Embora o Brasil não seja um grande hospedeiro de conteúdos ilícitos, o país se destaca como um dos maiores produtores e consumidores de imagens de abuso infantil, incluindo conteúdos gerados por inteligência artificial.
“Esses conteúdos são provas materiais de estupros que ocorrem no mundo real. Quem consome esse tipo de material está cometendo crime e financiando redes criminosas”, alerta Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil.
O relatório da InHope foi apresentado durante uma conferência online realizada em Amsterdã, onde fica a sede da organização, que recebe financiamento da Comissão Europeia. Desde 2006, a SaferNet Brasil atua em parceria com o Ministério Público Federal no recebimento e análise de denúncias de crimes e violações de direitos humanos na internet.
Como proteger crianças e adolescentes no ambiente digital?
A psicóloga e psicanalista Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da SaferNet Brasil, destaca que a exposição excessiva às redes sociais pode intensificar transtornos emocionais entre os jovens.
“Quando uma série como ‘Adolescência’ chega ao público, ela gera debates importantes dentro das famílias. Muitos pais ainda ignoram os riscos e desconhecem os perigos da internet”, explica Juliana.
Para reduzir os impactos negativos da hiperconectividade, especialistas recomendam que os pais acompanhem de perto a atividade online dos filhos, promovam diálogos francos sobre os riscos da internet e estimulem hábitos saudáveis de uso das redes sociais.
A SaferNet mantém canais de denúncia e um serviço de apoio psicológico para vítimas de violência digital. Para mais informações, acesse o site oficial da organização.
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