Notícias do Tocantins – A defesa do governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de habeas corpus com o objetivo de garantir seu retorno imediato ao cargo. O processo foi apresentado na última quinta-feira (4) e distribuído nesta segunda-feira (8) ao ministro Edson Fachin, que será o relator. Ainda não há data definida para análise.
Wanderlei e a primeira-dama, Karynne Sotero, foram afastados de suas funções por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da 2ª fase da Operação Fames-19, da Polícia Federal (PF). A investigação apura o suposto uso irregular de emendas parlamentares e o recebimento de vantagens indevidas durante a pandemia da Covid-19, por meio de contratos para compra e distribuição de cestas básicas.
Argumentos da defesa
No pedido ao STF, os advogados do governador alegam que não há provas de corrupção sistêmica que justifiquem a medida, ressaltando que os fatos investigados são anteriores à gestão atual e ocorreram durante o governo de Mauro Carlesse (Agir), entre 2020 e 2021. A defesa também cita a boa avaliação da administração de Wanderlei e indicadores de crescimento econômico do Tocantins.
Em nota, Wanderlei Barbosa classificou o afastamento como uma “medida precipitada” e destacou que, à época dos contratos investigados, exercia o cargo de vice-governador e não tinha poder para ordenar despesas. Ele afirmou ainda que determinou auditorias internas e reforçou a intenção de retomar o comando do Executivo estadual.
O que apura a Operação Fames-19
Segundo a Polícia Federal, o esquema teria desviado recursos públicos por meio de contratos emergenciais de distribuição de cestas básicas e frangos congelados, firmados durante a pandemia. Estima-se que mais de R$ 73 milhões tenham sido desviados dos R$ 97 milhões pagos em contratos.
A investigação também aponta que parte do dinheiro teria sido utilizada na construção de uma pousada de luxo em Taquaruçu, atribuída a um dos filhos de Wanderlei. Além disso, o ex-marido da primeira-dama é apontado como possível lobista, atuando na intermediação de contratos suspeitos.
Na primeira fase da operação, deflagrada em agosto de 2024, a PF encontrou R$ 67,7 mil em espécie, além de dólares e euros, na casa e no gabinete do governador. Ao todo, dez deputados estaduais são citados nas investigações.
Desdobramentos
Com o afastamento de Wanderlei, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assumiu interinamente o comando do Tocantins. A defesa de Mauro Carlesse negou qualquer responsabilidade, afirmando que o ex-governador não é investigado nem alvo da operação. Já a Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) declarou que tem colaborado com todas as apurações.
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