Notícias do Tocantins – O Supremo Tribunal Federal (STF) recusou, nesta quarta-feira (10), o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). O recurso buscava derrubar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que o afastou do cargo por 180 dias no âmbito da Operação Fames-19, deflagrada pela Polícia Federal.
A decisão foi assinada pelo ministro Edson Fachin, que classificou o pedido como “não conhecido”, ou seja, não chegou a analisar o mérito porque a defesa não atendeu às exigências legais e processuais. Para o magistrado, houve “instrução deficitária” no habeas corpus, sem documentos suficientes que comprovassem eventual constrangimento ilegal.
Com isso, segue válido o afastamento de Wanderlei, determinado no último dia 3 de setembro pelo STJ. Quem ocupa o governo é o vice, Laurez Moreira (PSD).
Operação Fames-19
A investigação apura um esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. Conforme a Polícia Federal, os contratos entre 2020 e 2021 somaram mais de R$ 97 milhões, com prejuízo estimado superior a R$ 73 milhões aos cofres públicos.
De acordo com a PF, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde para fraudar licitações e favorecer empresas ligadas ao grupo político. Há também suspeitas de que parte do dinheiro tenha sido usada na construção de uma pousada de luxo em Taquaruçu, em nome de um dos filhos do governador.
Na segunda fase da operação, além de Wanderlei, a primeira-dama e secretária extraordinária de Participações Sociais, Karynne Sotero Campos, também foi afastada. Mais de 200 policiais participaram do cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Tocantins, Paraíba, Maranhão e Distrito Federal.
Defesa e notas oficiais
Em nota, Wanderlei classificou o afastamento como uma “medida precipitada” e afirmou que acionará todos os recursos jurídicos para retornar ao cargo. Ele destacou que os contratos sob investigação foram firmados ainda na gestão do ex-governador Mauro Carlesse (Agir), período em que exercia a função de vice.
A defesa de Wanderlei informou que não comenta processos em andamento sob segredo de justiça, mas garantiu que recorrerá das decisões contrárias.
Já Karynne Sotero declarou confiar no esclarecimento dos fatos e reafirmou sua inocência. A defesa de Mauro Carlesse também se manifestou, negando qualquer envolvimento do ex-governador no esquema investigado.
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