Notícias do Tocantins – O início da safra 2025/26 de soja no Tocantins tem enfrentado grandes desafios. A irregularidade das chuvas e as altas temperaturas registradas nas últimas semanas têm paralisado o avanço do plantio em diversas regiões, comprometendo o calendário agrícola e elevando a preocupação entre os produtores.
De acordo com o vice-presidente da Aprosoja Tocantins, o engenheiro agrônomo Thiago Facco, a falta de umidade no solo tem sido o principal obstáculo. “Começamos o mês com algumas chuvas pontuais, o que permitiu o início do plantio em áreas isoladas. Mas logo depois o clima secou. As últimas precipitações significativas ocorreram por volta do dia 14, e desde então as temperaturas estão muito elevadas. Hoje, praticamente todo o estado está parado”, explicou Facco em entrevista ao portal Notícias Agrícolas.
O dirigente destaca que há regiões onde o plantio ainda nem começou, enquanto outras precisarão refazer o trabalho. “Estamos apreensivos, porque as previsões indicam o retorno das chuvas apenas a partir do dia 1º de novembro. Isso representa atraso e pode comprometer a janela ideal para a safrinha de milho de 2026”, alertou.
Safrinha em risco
Com menos de 20% da área total semeada, o Tocantins registra um dos inícios de safra mais lentos dos últimos anos. O atraso preocupa o setor, pois reduz o tempo ideal para o plantio do milho safrinha — cultura que depende da colheita antecipada da soja.
“A melhor janela para a safrinha seria agora, em outubro. Como o plantio da soja não avançou, é provável que tenhamos redução de área e de produtividade na segunda safra”, avaliou Facco.
Atenção ao mercado
Mesmo com as dificuldades climáticas, o vice-presidente da Aprosoja recomenda que os produtores acompanhem as movimentações do mercado internacional. “Nos últimos dias, o mercado reagiu, especialmente com o avanço das negociações entre Estados Unidos e China. É um momento para avaliar custos e, quem puder, realizar algum travamento ou venda parcial”, orientou.
Facco reconhece que o desânimo é natural diante das adversidades, mas reforça a importância de atenção ao cenário de preços. “O produtor tocantinense é muito competente, mas quando o clima não ajuda, o ânimo cai. Ainda assim, é hora de olhar para Chicago, acompanhar o câmbio e buscar oportunidades. Mesmo com incertezas, este pode ser um bom momento para garantir parte da rentabilidade”, observou.
Enquanto o clima não se estabiliza, a expectativa é de que as chuvas retornem no início de novembro, permitindo a retomada do plantio e a redução dos prejuízos. “Seguimos com fé e esperança de que as condições melhorem. O produtor tocantinense é resiliente e vai continuar firme, como sempre fez”, concluiu o dirigente.
Acompanhe mais notícias do Tocantins no PMW Notícias
