Notícias do Tocantins – A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida contra a chapa formada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice-governador Laurez Moreira (PSD) ganhou um desfecho inesperado nesta segunda-feira (8/12). O senador Irajá (PSD) e a coligação O Futuro é Pra Já, autores do processo, protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de desistência do Recurso Ordinário Eleitoral que buscava a cassação e a inelegibilidade dos dois.
O pedido foi registrado às 18h49 e tem como fundamento o artigo 998 do Código de Processo Civil. Com a desistência, o TSE deve homologar o requerimento e encerrar o processo sem análise de mérito, decisão que ainda aguarda manifestação do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques. O caso estava pautado para julgamento no plenário virtual nesta sexta-feira (12/12).
O que estava em jogo
O recurso no TSE pretendia reformar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), que em maio de 2024 julgou improcedente a AIJE. A acusação apontava suposto abuso de poder político, alegando o uso da estrutura da Secretaria de Comunicação do Estado e de servidores públicos durante a campanha eleitoral de 2022.
No julgamento no TRE, a maioria dos magistrados concluiu que não havia provas suficientes para sustentar a acusação. Apenas o juiz Wagmar Roberto Silva votou pela aplicação de multa à chapa.
Embora especialistas avaliassem como remota a possibilidade de cassação no TSE, o processo ainda representava risco político, especialmente diante da instabilidade recente no Estado: o afastamento temporário de Wanderlei pelo STJ, a gestão interina de Laurez e, posteriormente, a liminar do STF que reconduziu o governador ao cargo.
Por que Irajá recuou
Nos bastidores, a decisão de Irajá é interpretada como um movimento estratégico para evitar prejuízos ao próprio PSD. Caso a chapa fosse cassada, tanto Wanderlei quanto Laurez se tornariam inelegíveis — cenário que poderia retirar do jogo o principal nome da sigla para a disputa ao governo em 2026. A desistência, portanto, preserva a viabilidade eleitoral de Laurez, que saiu fortalecido politicamente após comandar o Estado durante o afastamento do titular.
E agora?
Com a retirada do recurso, a expectativa é de que o TSE retire o processo de pauta e determine seu arquivamento. A decisão deve ser oficializada nos próximos dias. O recuo coloca fim, ao menos por enquanto, à mais significativa ameaça jurídica ao mandato de Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira — uma questão que, nas últimas semanas, voltou ao centro das turbulências políticas no Tocantins.
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