Notícias do Tocantins – A sucessão estadual no Tocantins começa a ganhar contornos mais definidos com a aproximação entre o Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa, e o grupo político liderado pela senadora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil). As articulações em curso apontam para a formação de uma chapa majoritária encabeçada por Dorinha ao governo do Estado, enquanto o deputado federal Carlos Gaguim desponta como o nome do Republicanos para a disputa ao Senado Federal.
O movimento atende a uma reconfiguração estratégica do Republicanos. Inicialmente, a legenda avaliava lançar Wanderlei Barbosa como candidato ao Senado. No entanto, esse cenário passou a ser considerado inviável após o afastamento do governador, em 2025, no âmbito da Operação Fames-19. O episódio também inviabilizou uma recomposição política com o vice-governador Laurez Moreira (PSD), que esteve à frente do Executivo estadual de forma interina por cerca de três meses.
Diante desse contexto, o Republicanos passou a buscar alternativas para manter protagonismo na disputa majoritária de 2026. A solução encontrada foi a indicação de Carlos Gaguim para o Senado, movimento que pressupõe a saída do parlamentar do União Brasil e já conta com respaldo da direção nacional da sigla.
Arranjo majoritário em construção
A engenharia política em debate prevê que o União Brasil mantenha a cabeça de chapa ao governo do Estado, enquanto o PL assegure uma das vagas ao Senado com a candidatura à reeleição do senador Eduardo Gomes. A segunda vaga ficaria com o Republicanos, representado por Gaguim, consolidando um arranjo que busca unir forças de centro-direita no Tocantins.
Com as definições sobre o governo e o Senado praticamente encaminhadas, a escolha do candidato a vice-governador permanece como o principal ponto em aberto. Nos bastidores, a sinalização é de que o nome venha do próprio Republicanos, o que ampliaria o espaço da legenda na composição.
Esse rearranjo afeta diretamente o grupo governista. Um dos principais impactos recai sobre o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, cuja pré-candidatura ao governo vinha sendo estimulada por Wanderlei antes do afastamento. Com a consolidação da aproximação entre o governador e Dorinha, o projeto político de Amélio perde força no atual cenário.
A reaproximação entre Wanderlei Barbosa e o grupo da senadora Dorinha ocorreu após a atuação da parlamentar e de seus aliados durante o período de afastamento do governador. O apoio foi reconhecido publicamente após o retorno de Wanderlei ao cargo e abriu caminho para a costura política agora em andamento.
Fator Vicentinho Júnior
No mesmo tabuleiro político surge o fator Vicentinho Júnior (PP). O deputado federal preside o Progressistas no Tocantins, sigla que integra, junto com o União Brasil, a federação União Progressista. Vicentinho acompanha as movimentações com cautela e trabalha prioritariamente uma candidatura ao Senado.
Durante o afastamento de Wanderlei Barbosa, o parlamentar aproximou-se de Laurez Moreira, mas o retorno do governador redesenhou o cenário. Atualmente, Vicentinho sustenta que só deixará de disputar o Senado caso opte por concorrer ao governo do Estado.
O pano de fundo dessas articulações segue sendo o afastamento de Wanderlei Barbosa, determinado em setembro de 2025 pelo ministro Mauro Campbell, no âmbito da Operação Fames-19. A investigação apura suposto esquema de corrupção na compra emergencial de cestas básicas e frangos durante a pandemia. Embora tenha retornado ao cargo, o episódio continua influenciando as decisões políticas do governador e acelerou a busca do Republicanos por uma alternativa eleitoral considerada viável para 2026.
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