Notícias do Tocantins – A crise política no alto escalão do Governo do Tocantins ganhou novos contornos nesta sexta-feira (16), após uma troca pública de acusações entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice-governador Laurez Moreira (PSD). As declarações, feitas em contextos distintos — um culto religioso no Jalapão e um vídeo publicado nas redes sociais — evidenciam o aprofundamento do racha na cúpula do Palácio Araguaia.
Durante um culto de ação de graças realizado em Mateiros, na região do Jalapão, Wanderlei Barbosa fez duras críticas ao vice-governador, relatando episódios ocorridos no período em que esteve afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em discurso com forte carga emocional, o governador afirmou que, durante a interinidade de Laurez, teria sido privado de estrutura institucional, como veículo oficial, motorista e equipe de segurança.
“Ele me deixou de pé no meio da rua, sem motorista, sem segurança, sem nada. Eu nunca reclamei disso”, declarou. Wanderlei relatou ainda dificuldades logísticas para se deslocar a Brasília, onde acompanhava o andamento de seu processo judicial. Segundo ele, precisou recorrer a aliados políticos para manter sua agenda, citando o deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) como um dos que ofereceram apoio, inclusive com empréstimo de veículo.
No trecho mais contundente do pronunciamento, o governador afirmou ter se sentido politicamente traído pelo vice. “Eu perdoo, mas não quero ficar perto dele. Porque quem trai uma vez, vai trair sempre”, disse, associando Laurez a adversários políticos históricos. Sem citar nomes, Wanderlei também reagiu a críticas recentes da ex-senadora Kátia Abreu, aliada de Laurez, que o teria acusado de corrupção. “Ela pode continuar me xingando, mas não vai diminuir a minha fé”, afirmou.
As falas fazem referência à retirada de veículos oficiais e da equipe de segurança durante o período de afastamento do governador, medidas adotadas pela gestão interina. Pelas normas administrativas, bens públicos devem ser utilizados exclusivamente para atividades institucionais, sendo vedado o uso fora do exercício do mandato.
Reação do vice-governador
Na mesma noite, Laurez Moreira divulgou um vídeo nas redes sociais em resposta às declarações do governador. Na gravação, feita diante de um fundo preto, o vice classificou as falas de Wanderlei como “carregadas de ódio e desrespeito” e negou qualquer conspiração contra o titular do Executivo.
“Eu sou Polícia Federal? Polícia Civil? STJ? Procuradoria-Geral da República? STF?”, questionou, ao rebater a acusação de que teria conspirado contra o governo, a família e a pessoa do governador. Em tom pessoal, afirmou estar cansado da escalada de ataques públicos. “Confesso: isso cansa”, disse.
Laurez também relembrou o resultado das eleições de 2022, quando foi eleito ao lado de Wanderlei Barbosa. “Foram mais de 500 mil votos. Esses votos não pertencem a uma pessoa só. Eles pertencem a um momento histórico do nosso Estado”, afirmou. Segundo o vice, há uma tentativa recorrente de deslegitimação política de sua imagem, motivada por vaidades e interesses pessoais.
O vice-governador mencionou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que buscava impedir sua posse interina em caso de afastamento do titular, além de ataques e campanhas de desinformação. “Me culpam até pelo afastamento, como se eu tivesse tamanho poder”, declarou.
Ao ampliar o alcance do discurso, Laurez afirmou que o embate ultrapassa questões pessoais e atinge o funcionamento das instituições. “Isso não é só sobre mim. É sobre respeito institucional. É sobre o futuro do Tocantins”, disse. Em recado indireto ao governador, defendeu a elevação do nível do debate político e concluiu com um discurso voltado ao campo eleitoral, reforçando a defesa da ética, do interesse público e do diálogo com a sociedade.
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