Notícias do Tocantins – O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que apontaram desempenhos distintos entre os cursos de Medicina do Tocantins. Enquanto instituições federais alcançaram avaliação considerada excelente, três cursos no estado ficaram com nota 2, conceito classificado como insatisfatório.
De acordo com o levantamento, os cursos de Medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas, e da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), em Araguaína, obtiveram conceito 4 em uma escala que varia de 1 a 5. O resultado coloca as duas instituições entre as mais bem avaliadas do país e reforça, segundo as universidades, o compromisso com a qualidade do ensino e a formação técnica dos futuros médicos.
Para o diretor da Faculdade de Ciências da Saúde da UFNT, professor Taides Tavares, o desempenho é reflexo de um trabalho coletivo. “Esse conceito 4 demonstra a seriedade do nosso projeto pedagógico, o comprometimento do corpo docente e técnico-administrativo e, principalmente, a dedicação dos estudantes”, afirmou.
Cursos reprovados no estado
Por outro lado, três cursos de Medicina do Tocantins receberam conceito 2 no Enamed, faixa considerada de reprovação. Estão nessa situação a Universidade de Gurupi (Unirg) e as faculdades do grupo Afya nos municípios de Araguaína (Unitpac) e Porto Nacional (Itpac). Já a Faculdade de Ciências Médicas de Palmas, também da Afya, obteve conceito 3, classificado como regular.
Em âmbito nacional, 351 cursos de Medicina participaram da avaliação. Desses, 107 ficaram nas faixas 1 e 2 — sendo 24 com conceito 1 e 83 com conceito 2. Do total de cursos reprovados, 99 poderão sofrer sanções, já que instituições estaduais e municipais, como a Unirg, não estão sob a gestão direta do MEC.
Expansão da Unirg
Apesar do resultado insatisfatório no Enamed, a Universidade de Gurupi recebeu recentemente autorização para a abertura de um novo curso de Medicina no município de Colinas do Tocantins, com oferta de 60 vagas. A decisão foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação do Tocantins (CEE-TO) e pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Atualmente, a instituição já mantém o curso nos campi de Gurupi e Paraíso do Tocantins.
Avaliação e possíveis penalidades
Criado para avaliar anualmente a qualidade da formação médica no Brasil, o Enamed é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Entre as penalidades previstas, cursos com conceito 2 ficam impedidos de ampliar vagas e de firmar novos contratos do Fies e do Prouni. Já os que obtiveram conceito 1 poderão sofrer medidas mais severas a partir do primeiro semestre de 2026, incluindo redução de vagas ou cancelamento do vestibular.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as instituições terão prazo para apresentar defesa e ressaltou que o objetivo do exame é o aprimoramento do ensino. “É um instrumento para que as instituições possam corrigir falhas e garantir a qualidade da formação médica”, declarou.
Reação do setor privado
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) criticou, em nota, a condução do MEC e do Inep na aplicação do Enamed. A entidade manifestou preocupação com o uso de efeitos punitivos já na primeira edição do exame e defendeu que os resultados de 2025 sejam tratados como diagnóstico inicial, voltado ao aperfeiçoamento das próximas avaliações.
O que diz a Unirg
Em nota, a Universidade de Gurupi afirmou que o Enamed é um instrumento avaliativo inaugural e que seus indicadores ainda passam por processos de validação e amadurecimento. A instituição informou que já iniciou ações de qualificação metodológica e que pretende utilizar os dados do exame como ferramenta de aprimoramento contínuo, reafirmando o compromisso com a qualidade do ensino.
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