Notícias do Tocantins – A suspensão do reajuste de 9,37% nas tarifas de água e esgoto no Tocantins abriu um novo capítulo de embate político no Estado. O vice-governador Laurez Moreira (PSD) saiu publicamente em defesa do aumento autorizado durante sua gestão interina e criticou a postura da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil), que parabenizou o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) pela decisão de derrubar o reajuste.
Para Laurez, a manifestação da senadora demonstra “falta de compreensão básica sobre gestão pública” e aposta em aplausos fáceis em vez de soluções estruturais para o problema.
“Aplaudir a suspensão de taxas que estavam há três anos sem reajuste e já judicializadas é estranho. Quem sabe governar entende que adiar decisões não resolve problema nenhum, só encarece e transfere a conta. No final, quem paga é sempre a população”, afirmou o vice-governador.
Laurez também criticou o que chamou de seletividade no discurso da senadora, apontando silêncio diante de temas como saúde pública, segurança, condições de trabalho dos servidores e outros custos que impactam diretamente o orçamento das famílias, como energia elétrica, ICMS e taxas estaduais.
Em contraponto, Professora Dorinha elogiou a decisão do governador Wanderlei Barbosa e classificou a suspensão do reajuste como necessária diante de falhas formais no processo e do impacto direto na renda da população.
“Houve abuso no aumento da conta de água e esgoto. O impacto é enorme na renda das famílias tocantinenses. O governador fez a revisão respeitando a legalidade e demonstrou compromisso com as famílias”, declarou a senadora.
Ex-presidente da ATR defende legalidade do reajuste
O debate também ganhou reforço técnico com a manifestação do ex-presidente da Agência Tocantinense de Regulação (ATR), Saulo Milhomem, que defendeu a legalidade e a necessidade do reajuste concedido em novembro de 2025.
Segundo ele, o percentual de 9,37% foi embasado em pareceres técnicos da própria ATR, da Procuradoria-Geral do Estado e do Tribunal de Contas. Milhomem alertou que a ausência de atualização tarifária pode gerar impactos ainda maiores no futuro.
“Já são mais de três anos sem correção pelo IPCA, há ação judicial em curso e, mais cedo ou mais tarde, essa conta chega — possivelmente de forma muito mais pesada”, afirmou.
Entenda o contexto
O pano de fundo do embate envolve não apenas a tarifa de água no Tocantins, considerada a mais alta da Região Norte — chegando a R$ 8,01 por metro cúbico —, mas também o reposicionamento político após o retorno de Wanderlei Barbosa ao cargo, depois de afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Durante o período de afastamento, o Estado foi comandado por Laurez Moreira, responsável pela autorização do reajuste agora suspenso. Nos bastidores, a manifestação pública de Dorinha é vista como mais um sinal de aproximação política com o governador, enquanto Laurez tenta se diferenciar com um discurso de responsabilidade fiscal e gestão técnica, em oposição ao que classifica como decisões populistas.
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