O grupo político do deputado federal Vicentinho Júnior (PP) oficializou, nesta quarta-feira (2), o desligamento da gestão municipal de Palmas. A decisão ocorre em meio à crise política instaurada após mudanças feitas pelo prefeito em exercício, pastor Carlos Velozo (Agir), que assumiu o comando da capital após a prisão do titular Eduardo Siqueira Campos (Podemos), na última sexta-feira (28).
Entre os nomes que deixaram a administração estão dois aliados diretos de Vicentinho Júnior: Marlei Ribeiro Rodrigues, que ocupava a Secretaria Municipal de Habitação, e André Luís Nunes Cavalari, presidente da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp). O ex-senador Vicentinho Alves, pai do deputado, também pediu exoneração. Ele era secretário extraordinário de Representação da Prefeitura de Palmas em Brasília.
A saída coletiva dos aliados foi motivada pelas exonerações e nomeações realizadas por Velozo, que privilegiaram integrantes do Agir — seu partido político. As trocas foram vistas como quebra do compromisso de manter a equipe de Eduardo Siqueira durante seu afastamento.
“Vamos esperar meu prefeito voltar e nos reapresentaremos”, afirmou Vicentinho Júnior, destacando sua fidelidade a Eduardo. “Trabalhei para o Eduardo, foi para ele que pedi votos. Não estou gostando do que estou vendo.”
Lealdade ao titular
Os ex-secretários que deixaram seus cargos também enfatizaram a lealdade ao prefeito afastado. Marlei Ribeiro declarou que “não se sente à vontade” para permanecer numa gestão sem a presença do líder eleito. André Cavalari entregou uma carta em que agradece a oportunidade e reafirma seu “compromisso com o prefeito Eduardo Siqueira Campos”.
Já o ex-senador Vicentinho Alves comunicou a saída por meio de ofício encaminhado a Carlos Velozo, informando que retornará à função assim que Eduardo reassumir a Prefeitura.
Crise no Paço e influência do Agir
A ruptura política ganhou força após Carlos Velozo exonerar dois dos principais nomes da confiança de Eduardo: o chefe de Gabinete, Carlos Júnior, e o procurador-geral do Município, Renato Oliveira. As decisões foram publicadas no Diário Oficial de terça-feira (1º), menos de um dia após o próprio Velozo afirmar, em reunião com secretários, que manteria a atual equipe.
As mudanças surpreenderam aliados e foram interpretadas como tentativa de fortalecimento do Agir, partido com base entre pastores evangélicos e figuras ligadas ao agronegócio. Fontes do Paço indicam que o pastor Amarildo, ligado ao Grupo Monte Sião, estaria influenciando diretamente as decisões da nova gestão.
“Carta branca” sob questionamento
Apesar de Velozo afirmar ter recebido “carta branca” de Eduardo Siqueira durante uma visita na prisão, aliados do prefeito afastado contestam essa versão. Segundo eles, mudanças estruturais na equipe de governo não teriam sido autorizadas, o que aumentou o clima de desconfiança e culminou na debandada de figuras históricas da base aliada.
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