Notícias do Tocantins – Os conflitos no campo no Tocantins registraram aumento de 40% em 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Araguaia-Tocantins. O levantamento faz parte do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025 e aponta o avanço das disputas agrárias no estado.
De acordo com o Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (Cedoc-CPT), foram contabilizados 70 conflitos no campo em 2025, envolvendo mais de 3,8 mil famílias. No ano anterior, haviam sido registrados 50 conflitos, com cerca de 16,4 mil pessoas atingidas.
Disputas por terra concentram maioria dos casos
No eixo relacionado à terra, o Tocantins registrou 45 conflitos agrários em 2025, número próximo ao de 2024, quando foram contabilizadas 48 ocorrências.
As disputas afetam principalmente quilombolas, trabalhadores sem terra, posseiros, assentados e povos indígenas, grupos que vivem sob pressão constante pela posse e uso do território.
Conflitos por água e trabalho escravo aumentam
O relatório também aponta 12 conflitos por água em 2025, sendo que metade dos casos atingiu diretamente comunidades quilombolas.
Outro dado que chama atenção é o crescimento das ocorrências de trabalho análogo à escravidão. Foram registrados oito casos neste ano, número superior ao de 2024, quando houve duas ocorrências, com 11 trabalhadores resgatados em áreas rurais de municípios como Arraias e Marianópolis.
Violência no campo preocupa
Os dados mais recentes consolidados sobre violência no campo são de 2024, quando foram registradas 32 ocorrências de violência contra pessoas, resultando em 15 vítimas no Tocantins.
Entre os casos estão os assassinatos do camponês Cícero Rodrigues de Lima, ligado ao assentamento P.A. Remansão, e do ambientalista Sidiney de Oliveira Silva. Também foram registradas ameaças, agressões e outras formas de violência contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais.
Resistência e mobilização social
Apesar do cenário de conflitos, o relatório de 2025 destaca cinco ações de resistência coletiva, reunindo cerca de 900 pessoas em mobilizações como ocupações, retomadas e protestos em defesa da terra e dos recursos naturais.
Região do Matopiba concentra pressão por terras
Segundo a CPT, o Tocantins segue inserido na região do Matopiba, considerada uma das principais fronteiras de expansão agrícola do país. Nesse contexto, os conflitos no campo continuam associados à disputa por terra e recursos naturais, especialmente em áreas ocupadas por comunidades rurais tradicionais.
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