Palmas/TO – Investigação apura possível omissão de socorro e adulteração de documentos relacionados ao atendimento do jovem, que morreu dentro do sistema prisional horas antes de receber alvará de soltura.
A Polícia Civil cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Palmas, na manhã desta segunda-feira (24), durante uma investigação sobre a morte de Briner de César Bitencourt, de 22 anos. O jovem morreu em outubro de 2022, dentro do sistema prisional, horas antes de ser colocado em liberdade após a Justiça reconhecer que ele era inocente da acusação que havia levado à prisão.
A operação é conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (1ª DHPP). Segundo informações apuradas pela TV Anhanguera, três médicos e três enfermeiros são investigados por suspeita de omissão de socorro e adulteração de documentos. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
De acordo com a Polícia Civil, os mandados têm como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros dados que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte de Briner. A investigação está em fase final e deve ser concluída após a análise do material apreendido.
Mandados foram cumpridos em unidade de saúde de Palmas
A Prefeitura de Palmas informou que um dos locais onde os mandados foram cumpridos foi a Unidade de Saúde da Família José Hermes, que funcionava como UPA Taquaralto na época da morte de Briner.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a Polícia Civil busca ter acesso a informações e registros relacionados ao atendimento prestado ao jovem em 2022. A pasta afirmou que está colaborando com as investigações.
Briner morreu horas antes de receber alvará de soltura
Briner foi preso em outubro de 2021, aos 22 anos, acusado de tráfico de drogas. Ele permaneceu por cerca de um ano na Unidade Penal de Palmas aguardando julgamento.
Em outubro de 2022, a Justiça declarou o jovem inocente. O alvará de soltura chegou à unidade prisional no dia 10 de outubro, mas Briner havia morrido horas antes.
O laudo apontou que a causa da morte foi relacionada a graves problemas pulmonares e pneumonia.
A família afirmou que não havia sido informada sobre a gravidade do estado de saúde do jovem. Na época, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) declarou que os procedimentos adotados pela unidade seguiam o protocolo de sigilo médico.
Após a repercussão do caso, a Seciju criou uma comissão para apurar a falta de comunicação com os familiares. O procedimento acabou arquivado em abril de 2023, após a pasta informar que não havia encontrado indícios de infração disciplinar.
Detentos alertaram servidores sobre estado de saúde
Vídeos registrados dentro da unidade prisional mostraram detentos batendo nas grades das celas para chamar a atenção de policiais penais e servidores sobre o estado de saúde de Briner.
Segundo as informações divulgadas na época, o socorro demorou quase uma hora.
Na noite em que morreu, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado duas vezes. Na primeira chamada, a equipe do presídio teria informado que Briner permaneceria na unidade para ser avaliado posteriormente.
Durante o atendimento, socorristas relataram sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal e fraqueza. Um médico da central do Samu orientou que o jovem fosse levado para uma unidade de pronto atendimento.
Na segunda ligação, a unidade penal informou que Briner não havia apresentado melhora e solicitou o transporte. A ambulância chegou ao presídio às 0h13. O jovem foi levado para a UPA, onde morreu às 4h.
Uma semana após a morte, o então chefe da Unidade Penal de Palmas, Thiago Oliveira Sabino de Lima, pediu dispensa da função.
Família aguardava liberdade de Briner
Briner trabalhava desde jovem e atuava como entregador por aplicativo. Apaixonado por motocicletas, também produzia conteúdos para as redes sociais, onde fazia sátiras e comentários sobre situações do cotidiano.
Uma das contas mantidas pelo jovem tinha mais de 24 mil seguidores, com vídeos que ultrapassavam um milhão de visualizações.
Segundo familiares, Briner era estudioso e planejava, após deixar a prisão, fazer um curso de aviação em Goiás.
Durante o período em que esteve preso, ele recebeu cartas da mãe e da irmã. As mensagens buscavam encorajá-lo a não desistir e reforçavam o apoio da família, que sempre acreditou em sua inocência.
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