Um relatório divulgado pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa as autoridades de Israel de restringirem o acesso à água na Faixa de Gaza, agravando a crise humanitária enfrentada pela população palestina. O documento aponta que a limitação no abastecimento hídrico tem impactos diretos na saúde, nas condições de vida e no acesso a serviços básicos.
Intitulado “Água como arma: a destruição e privação hídrica e de saneamento por Israel em Gaza”, o relatório sustenta que a redução do acesso à água ocorre de forma recorrente e estaria associada a danos à infraestrutura essencial e restrições à entrada de insumos.
Segundo a MSF, a situação ocorre paralelamente a outros fatores que afetam a população civil, como deslocamentos forçados, danos a unidades de saúde e dificuldades no acesso a serviços básicos. A organização defende que o fornecimento de água seja restabelecido em níveis considerados adequados e pede maior atuação da comunidade internacional para garantir a entrada de ajuda humanitária.
A coordenadora de emergência da MSF, Claire San Filippo, afirma que a limitação no acesso à água, somada às condições precárias de moradia e ao colapso do sistema de saúde, favorece a disseminação de doenças. O relatório também menciona relatos de incidentes envolvendo civis durante tentativas de acesso à água.
Infraestrutura hídrica comprometida
De acordo com o documento, cerca de 90% da infraestrutura de água e saneamento em Gaza foi danificada ou destruída, incluindo usinas de dessalinização, poços e sistemas de esgoto. A organização relata ainda dificuldades operacionais para distribuição de água, especialmente em áreas afetadas por deslocamentos populacionais.
Entre maio e novembro de 2025, uma parcela significativa das operações de distribuição não conseguiu atender à demanda, devido a limitações logísticas e de acesso. A MSF afirma que restrições de circulação impactaram diretamente o fornecimento em regiões com grande concentração populacional.
Restrição de insumos e impacto no abastecimento
O relatório também aponta entraves na entrada de materiais essenciais para o funcionamento dos sistemas de abastecimento, como combustível, geradores, equipamentos de dessalinização e produtos químicos para tratamento de água.
Segundo a organização, parte dos pedidos de entrada desses insumos não foi atendida ou permaneceu sem resposta. Mesmo materiais autorizados teriam enfrentado dificuldades adicionais na liberação.
Riscos à saúde aumentam
A escassez de água tem provocado impactos significativos na saúde pública. A falta de condições adequadas de higiene, aliada à superlotação em abrigos improvisados, contribui para o aumento de doenças infecciosas.
Dados da MSF indicam que doenças de pele representaram cerca de 18% dos atendimentos médicos em 2025. Já problemas gastrointestinais afetaram aproximadamente um quarto da população atendida em determinados períodos.
A organização também destaca que grupos vulneráveis, como mulheres e pessoas com deficiência, enfrentam maiores dificuldades devido à falta de acesso a itens básicos de higiene.
Produção de água em meio à crise
Apesar das limitações, a MSF afirma que mantém operações de produção e distribuição de água na região. Em março de 2026, a organização informou ter distribuído mais de 5,3 milhões de litros de água por dia, atendendo parte da população local.
O relatório reforça o apelo para que o acesso humanitário seja ampliado e que as condições para funcionamento da infraestrutura básica sejam restabelecidas.
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