Notícias do Tocantins – A Polícia Civil do Tocantins prendeu, no Paraguai, o principal investigado de um esquema criminoso voltado à captura e uso indevido de credenciais de acesso a sistemas de segurança pública. A ação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), com sede em Paraíso do Tocantins, e integra a Operação Rollback.
Segundo a investigação, o suspeito — morador de Paranavaí (PR) — teria iniciado as atividades ilícitas a partir de campanhas de phishing direcionadas a policiais civis do Tocantins. A técnica consiste no envio de comunicações falsas que simulam sistemas oficiais para induzir o usuário a fornecer login e senha.
Ao perceber que estava sendo investigado, o homem tentou fugir do país atravessando a fronteira, mas foi localizado e preso no Paraguai. Após a captura, ele foi entregue às autoridades brasileiras e encaminhado a uma unidade penal em Guaíra (PR).
Durante o cumprimento de mandados em Paranavaí, a polícia apreendeu um computador utilizado nos crimes, em um imóvel de alto padrão, além de uma arma de fogo calibre 9mm encontrada em uma empresa ligada ao investigado.
As apurações indicam que, com as credenciais obtidas de forma fraudulenta, o suspeito estruturou um sistema com servidores virtuais capazes de acessar automaticamente bases de dados policiais. As informações sigilosas — como registros de pessoas e veículos — eram posteriormente comercializadas em plataformas clandestinas na internet.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o investigado administrava toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do esquema, incluindo sistemas de automação e redes de distribuição das consultas ilegais.
As investigações apontam que credenciais de agentes de segurança de diferentes estados foram comprometidas, incluindo Tocantins, Piauí, Amazonas, Maranhão e Paraná, além de acessos vinculados a departamentos estaduais de trânsito. No Tocantins, ao menos sete contas institucionais teriam sido afetadas.
Para dificultar a identificação, o suspeito utilizava serviços de anonimização, como redes privadas virtuais (VPN), simulando acessos a partir de países da Europa, Oriente Médio e Ásia. Apesar disso, a polícia afirma ter conseguido rastrear a origem das atividades por meio de análise técnica.
A estimativa é que, apenas entre março e abril de 2026, o investigado tenha obtido cerca de R$ 90 mil com a venda de dados. Considerando a continuidade do esquema desde anos anteriores, o lucro total pode chegar a R$ 6 milhões. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores até esse montante.
Além da comercialização ilegal de dados, o suspeito também é investigado por lavagem de dinheiro. Conforme a apuração, ele teria utilizado uma empresa registrada como prestadora de serviços de análise de crédito para dar aparência legal aos recursos obtidos.
A polícia também identificou que o investigado mantinha um padrão de vida elevado, com aquisição de imóveis de alto valor, divulgados em redes sociais.
As investigações continuam com o objetivo de identificar possíveis outros envolvidos e ampliar o alcance das medidas judiciais. A Polícia Civil destaca que o uso indevido de credenciais institucionais representa risco à segurança pública, especialmente quando envolve acesso a bases de dados sensíveis.
A Operação Rollback faz parte de uma ação integrada no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com apoio de forças policiais do Tocantins, Paraná, Paraguai e da Polícia Federal.
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