Notícias do Tocantins – A paralisação do transporte coletivo urbano em Araguaína, no norte do Tocantins, teve início no sábado (10) e suspendeu o funcionamento das 14 linhas que operam no município. A interrupção do serviço ocorreu após o atraso no pagamento dos salários dos motoristas, segundo informou a empresa concessionária responsável pelo sistema.
Atualmente, o transporte coletivo de Araguaína conta com uma frota de 20 ônibus, que operam diariamente entre 5h30 e 23h30, com intervalos médios de 27 a 30 minutos. A tarifa cobrada dos usuários é de R$ 4. Com a suspensão das atividades, milhares de passageiros ficaram sem acesso ao serviço.
A Araguaína Transportes atribui a paralisação a um desequilíbrio financeiro da concessão. De acordo com o representante da empresa, Umberto Pereira, a tarifa do transporte coletivo está congelada desde 2018, enquanto o subsídio repassado pelo município não sofre reajuste desde 2023. A concessionária também afirma que existem valores retroativos em atraso, o que teria inviabilizado o pagamento da folha salarial.
Segundo a empresa, pedidos de revisão tarifária e de quitação de valores referentes ao período entre setembro de 2023 e junho de 2024 foram encaminhados à Prefeitura de Araguaína, mas não houve retorno. A concessionária sustenta que, enquanto a situação contratual não for regularizada, os funcionários não devem retomar as atividades.
A Prefeitura de Araguaína, por sua vez, informou que enfrenta dificuldades relacionadas ao cumprimento do contrato por parte da concessionária. A gestão municipal aponta a existência de reclamações de usuários e problemas na conservação dos veículos. Conforme o município, parte da frota ultrapassa a idade máxima prevista em contrato, com ônibus que chegam a mais de 15 anos de uso.
Em nota, a prefeitura afirmou que os repasses financeiros à empresa estão em dia e somam cerca de R$ 351 mil mensais. A administração municipal ressaltou ainda que o atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores não tem relação com o poder público e alertou que o descumprimento de cláusulas contratuais pode resultar em sanções, incluindo a perda da concessão.
Ainda segundo a prefeitura, foram solicitados à concessionária documentos como plano de renovação da frota, laudos mecânicos e de segurança dos ônibus mais antigos, além de comprovantes de regularidade fiscal e trabalhista. Até o momento, de acordo com o município, não houve resposta às solicitações.
A Araguaína Transportes reconheceu que os veículos em operação possuem, em média, cerca de 15 anos de uso e informou que os laudos técnicos e o plano de atualização da frota estão em fase de elaboração. A empresa afirma, no entanto, que a aquisição de novos veículos depende da regularização dos valores que considera pendentes desde 2023.
Por fim, o representante da concessionária destacou que custos como combustível, pneus, peças e salários sofreram reajustes nos últimos anos, sem atualização proporcional da tarifa ou dos repasses municipais, o que, segundo ele, compromete a sustentabilidade e a manutenção do serviço.
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