A CPI do Crime Organizado no Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (31), a quebra de sigilo bancário e fiscal de um empresário ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, além da convocação de autoridades como os ex-governadores Ibaneis Rocha (DF) e Cláudio Castro (RJ), e do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A decisão marca um avanço nas investigações que apuram a possível infiltração do crime organizado no sistema financeiro nacional, com foco no caso envolvendo o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em 2025 após suspeitas de fraudes.
Relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) justificou a convocação de Ibaneis Rocha para esclarecer negociações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e a tentativa de aquisição do Banco Master. Já Cláudio Castro deve prestar informações sobre o cenário do Rio de Janeiro, apontado como um dos principais centros de atuação de organizações criminosas no país.
No caso de Roberto Campos Neto, o objetivo é ouvi-lo como testemunha qualificada, considerando sua experiência à frente do Banco Central. Segundo o relator, o depoimento poderá contribuir para esclarecer os critérios adotados pela autoridade monetária na autorização de novos controladores no sistema financeiro, além dos mecanismos de fiscalização contínua das instituições.
A comissão também busca identificar possíveis falhas regulatórias e propor medidas para fortalecer o sistema financeiro contra a atuação de organizações criminosas.
Investigações e Operações Policiais
As apurações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, apontam indícios de que integrantes do Banco Central teriam atuado para favorecer interesses do Banco Master.
De acordo com as investigações, servidores ligados à Diretoria de Fiscalização da instituição, entre 2019 e 2023, teriam mantido interlocução com representantes do banco. Há suspeitas de que esses agentes integrariam uma rede informal de influência ligada ao grupo investigado.
Os servidores foram afastados posteriormente, já durante outra gestão no Banco Central.
Quebra de sigilo e suspeitas de lavagem de dinheiro
A CPI do Crime Organizado também aprovou a quebra de sigilo de Fabiano Campos Zettel, empresário com vínculos familiares com Daniel Vorcaro. A medida foi solicitada com base em indícios de movimentações financeiras suspeitas.
Segundo os parlamentares, investigações indicam a existência de uma rede que envolve fundos de investimento, instituições financeiras e estruturas que podem ter sido utilizadas para ocultação de recursos de origem ilícita.
Entre os elementos analisados estão conexões com fundos específicos e empresas do setor financeiro, o que levanta suspeitas sobre possível uso dessas estruturas para lavagem de dinheiro.
A comissão destacou que a quebra de sigilo é fundamental para rastrear o fluxo financeiro, identificar beneficiários e aprofundar as investigações, com o objetivo de proteger a integridade do sistema financeiro nacional.
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